Por Sérgio Tauhata e Maria Fernanda Salinet, Valor — São Paulo
28/02/2024 10h54 Atualizado há 21 horas
O trabalho de controle da inflação ainda não está feito, afirmou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante a abertura da reunião entre ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, em São Paulo. Segundo o dirigente, ainda falta uma “última milha” e riscos permanecem à frente.
Na avaliação do chefe da autoridade monetária brasileira, “quando olhamos para a dívida soberana global, atingimos níveis muito elevados após a pandemia”. Para Campos Neto, “o custo do serviço da dívida será elevado e teremos, portanto, menos liquidez para os mercados emergentes e os países de baixa renda”.
Ele citou ainda o fato de os países em desenvolvimento precisarem “pagar a transição verde e os custos das reorganizações geopolíticas”.
Sobre o tema do encontro, Campos Neto enfatizou que “políticas macroeconômicas sólidas apoiam um ambiente onde o crescimento a longo prazo pode ser sustentado e as disparidades sociais podem ser reduzidas”.
Segundo o chefe da autoridade brasileira, “os BCs têm assegurado que continuarão fortemente empenhados em alcançar a estabilidade de preços em linha com os seus respectivos mandatos”.
Campos Neto ressaltou “existir muitas provas de que a inflação tem um impacto negativo nos níveis de pobreza, prejudicando desproporcionalmente os mais vulneráveis, aprofundando as disparidades e desigualdades sociais existentes”.
De acordo com o dirigente, “reduzir a inflação traz custos, mas adiar a restauração da estabilidade de preços poderá aumentar ainda mais o sacrifício necessário para reduzir os preços e prejudicar ainda mais os mais vulneráveis”.
Para Campos Neto, “a melhor contribuição da política monetária para o crescimento sustentável, o baixo emprego, o aumento do rendimento real e a melhoria das condições de vida das pessoas é manter a inflação baixa, estável e previsível”.
O presidente do BC lembrou que, “durante a pandemia, os bancos centrais e os governos agiram de forma coordenada para sustentar a atividade econômica e manter a inflação sob controle”.
No cenário atual, “após a ação sincronizada dos BCs, registramos progressos na redução da inflação, mas esse processo ainda não terminou”.
Campos Neto concluiu dizendo que “sob a presidência brasileira do G20, a inclusão financeira será um pilar central para promover o desenvolvimento e reduzir a desigualdade”.
Fonte: Valor Econômico