No pós-pandemia, CBM, Milplan, Eurofarma, Cielo e Serasa Experian aprimoraram programas de desenvolvimento e valorização de talentos internos
Por Jussara Maturo
16/12/2022 05h02 Atualizado há 4 horas
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Mesmo depois da reviravolta provocada pela pandemia de covid-19 no mundo do trabalho, as empresas não desaceleraram as mudanças culturais. Em 2021, as agendas de RH continuaram intensas em torno de capacitação da força de trabalho, desenvolvimento de competências, diversidade, atração, qualificação e valorização dos talentos internos, mentoria e formação de novos líderes. As cinco empresas líderes na categoria de 3.001 a 7.000 funcionários enfrentaram em 2021 o desafio de estabelecer políticas estruturadas para lidar melhor com as novas relações trabalhistas, a começar pelo home office.
Pelo segundo ano consecutivo vencedora na categoria, a Construtora Barbosa Mello (CBM) adotou parcialmente em 2021 o trabalho híbrido. Colaboradores de áreas como TI, Inovação, RH, controladoria, engenharia e alguns setores administrativos de obras trabalharam à distância. Mas o trabalho nos canteiros de obras de construção continuou. Com o avanço da vacinação pelo país, mais funcionários voltaram ao trabalho presencial ao longo do ano.
Com um quadro de 4,5 mil funcionários, a CBME abriu 2021 em transformação, a partir de um novo ideário batizado de Propósito (Construir o bem para o mundo) e Jeito de Ser CBM. Para disseminar a nova visão, criou uma plataforma de comunicação interna com o objetivo “de fortalecer a cultura organizacional, aumentar o engajamento e a troca de experiências entre as obras e, consequentemente, reforçar o senso de pertencimento”, ressalta a empresa.
Na área de desenvolvimento, implantou a Escola ECBM atrelada ao plano de carreira e às necessidades do negócio, priorizando as competências técnicas a serem desenvolvidas. Participam desses treinamentos a alta e média liderança, encarregados, supervisores, além de funcionários de nível técnico e operacional.
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A transformação cultural também marcou a gestão da Milplan, há 40 anos especializada em montagem eletromecânica de grandes equipamentos sobretudo no setor de mineração. Marcos Marcos Marangoni, gerente de gente e gestão entrou na empresa em julho de 2021 e conta que a mudança teve apoio de consultoria da Fundação Dom Cabral. A Milplan reviu processos, alguns cuja implantação se estenderá até 2023. “Dentro dessa avaliação apareceram sinais da necessidade de mudanças mais rápidas em algumas áreas da organização. O RH é uma delas, assim como operações, e outras que ainda não foram executadas”, diz Marangoni.
Ele explica que a Milplan trabalha por projeto para os quais contrata equipes temporárias de trabalhadores. Foram 12 projetos em 2021, de modo que a empresa manteve vínculos com cerca de 11 mil trabalhadores ao longo do ano, mas encerrando 2021 com 5.587 funcionários. Um dos desafios constantes da operação é conseguir contratar grande quantidade de pessoas – algo como 300 a 400 profissionais por projeto – em pouco tempo.
Em 2020, no auge da pandemia, a Eurofarma colocou em prática a política de home office, determinando até dois dias em casa e outros três no escritório”, lembra Daniela Panagassi, diretora de RH da companhia. A exceção foram as três fábricas que mantém no Brasil, das dez operadas no mundo. “Como deu certo, adotamos de forma definitiva. Hoje, se o funcionário quiser pode voltar a trabalhar cinco dias no escritório. Mas 70% da força optaram por ficar até dois dias de home office.”.
Em 2021 a Eurofarma cumpriu uma agenda intensa de mudanças. A partir de um censo interno, elegeu metas corporativas em torno de gênero, raça, LGBTQIA+ e PCDs. Para cada um constituiu grupos de afinidades com adesão voluntária. Um dos pontos estabelecidos era contratar mulheres para 50% das novas vagas. “Hoje só duas áreas não têm 50% de mulheres: operações e comercial”, salienta Panagassi. Metade do board da companhia é composta de mulheres. Houve avanços também na implantação de um programa para identificar e preparar os funcionários para experiência internacional. A meta de reservar 70% das novas vagas para o recrutamento interno também foi cumprida.
Ao final de 2021, a Cielo foi outra empresa que retomou gradualmente as atividades presenciais, operando em modelo híbrido com dois dias da semana em home office. Conforme Fernando Pinto Lima, head de gente, gestão e performance da companhia, a medida exigiu a adaptação dos escritórios para garantir a segurança sanitária das pessoas. Em uma das frentes de aprendizagem, a empresa lançou em setembro de 2021 a plataforma edUCA, produto da Universidade Cielo. “É um espaço para as pessoas compartilharem conhecimento e experiências, que utiliza a inteligência artificial para personalização de conteúdo para os colaboradores, resultando em uma curadoria mais assertiva”, explica Lima.
A Serasa Experian operou com trabalho híbrido em 2021 em áreas como RH, finanças, vendas e jurídica, conta o o vice-presidente de recursos humanos da empresa, Flávio Balestrin. O modelo continuou em 2022 e é adotado por metade dos atuais 4.400 funcionários. Para os que trabalham em casa a Serasa Experian fornece kit cadeira, suporte para notebook, almofada para teclado e mouse e apoio de pés. Em 2021, a empresa implantou o programa de indicações premiadas pelo qual o funcionário recebe prêmios qvariam de R$1 mil a R$4 mil, de acordo com as metas de diversidade, equidade e inclusão.
Fonte: Valor Econômico
