Estudo analisou assembleias de acionistas de empresas de capital aberto entre 2020 e 2023
PorRafaela Zampolli, Valor
Um estudo que analisou os resultados de assembleias de acionistas, entre 2020 e 2023, das empresas de capital aberto com os ativos mais negociados do mercado brasileiro (IBr-X 50), realizado pela Morrow Sodali, indica que os investidores estão menos propensos a aprovar as propostas de remuneração dos executivos.
A taxa de aprovação dos salários foi de 95,3% em 2022; no ano seguinte, entretanto, a média caiu 4,2 pontos percentuais, estabelecendo-se em 91,1% – a mais baixa dos últimos três anos.
As consultorias, em concordância com os resultados, estão sugerindo ao acionista negar o salário proposto. A Institutional Shareholder Services (ISS), por exemplo, recomendou voto contrário a 34% das propostas de remuneração de executivos do IBr-X 50 em 2022. No ano passado, a consultoria reprovou 37% dos pedidos.
O percentual de aprovação acima de 90% expõe a boa recepção dos pedidos por parte do investidor, entretanto, “os dados do estudo sugerem que os investidores não estão mais tão dispostos a tolerar políticas de remuneração com poucas informações ou sem bons fundamentos”, observa Agnes Blanco Querido, diretora geral da Morrow Sodali no Brasil.
No exterior, as empresas costumam apresentar descrições detalhadas que justificam os ganhos dos diretores, além de disponibilizarem propostas transparentes sobre aumentos, explica Querido. Porém, as corporações se limitam a oferecer as informações requisitadas no Brasil, “o que não necessariamente é suficiente para dar o conforto necessário ao investidor”, complementa.
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A preocupação do acionista também decorre de alguns escândalos recentemente noticiados, avalia Henrique Premoli, sócio especialista em mercado de capitais da Baker Tilly. “Esses casos de fraude que aconteceram, muitos foram gerados – pelo menos é o que se divulga – em função da má gestão”, diz o especialista.
Além dos resultados desafiadores apresentados pelas corporações, destacam-se as recuperações judiciais recentes. “Os reflexos da pandemia continuam reverberando nos resultados das empresas e, consequentemente, na remuneração dos administradores. Os acionistas também não recuperaram as perdas que tiveram na Covid-19″, finaliza Premoli.
Fonte: Valor Econômico