Por Joshua Franklin — Financial Times, de Nova York
18/05/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
Acionistas do J.P. Morgan Chase votaram ontem contra o plano de remuneração dos executivos do banco, numa dura repreensão ao presidente-executivo Jamie Dimon e à sua equipe.
Em uma votação sobre a remuneração realizada na assembleia anual de acionistas, apenas 31% dos investidores votaram a favor do plano de 2021 do J.P. Morgan, que incluía um pacote total de US$ 201,8 milhões para seis altos executivos. Dimon deverá ganhar US$ 50 milhões com um prêmio especial único.
É a primeira vez que o conselho de administração do banco perde uma votação dessas desde que ela foi introduzida, em 2009. A decisão não é vinculante, mas o banco disse em sua procuração antes da reunião que sua comissão de remuneração e desenvolvimento social “levará em conta o resultado da votação ao considerar os acordos futuros de remuneração dos executivos”.
O nível anterior de apoio mais baixo à remuneração dos executivos foi de 61,4% em 2015. Na votação equivalente de 2021, 90% dos acionistas apoiaram os pagamentos dos executivos.
Uma preocupação especial para os investidores neste ano foi o prêmio concedido a Dimon, que, segundo disse o banco, refletiu o desejo do conselho de manter o executivo de 66 anos, cujo patrimônio é calculado em US$ 1,6 bilhão pela revista “Forbes”, no banco por “um número significativo de anos”. Ele ocupa o cargo de CEO desde 2005.
Em resposta aos questionamentos dos investidores sobre o prêmio na assembleia, Dimon, que também preside o conselho de administração do J.P. Morgan, disse que o conselho “aprecia o retorno recebido dos acionistas sobre a remuneração”.
“O conselho leva isso muito a sério e continuaremos ativamente envolvidos com eles”, acrescentou.
O prêmio está na forma de “direitos de valorização de ações” (opções fantasmas, em que o resgate é feito em dinheiro), que renderão a Dimon um pagamento apenas se os papéis do J.P. Morgan superarem US$ 148,73 nos próximos anos. Atualmente, a ação é negociada em torno de US$ 121.
No entanto, a influente consultoria por procuração Glass Lewis aconselhou os investidores a votar contra o pacote de remuneração do banco, ao mesmo tempo em que criticou uma concessão pontual de US$ 28 milhões para o presidente e diretor operacional do J.P. Morgan, Daniel Pinto.
“As concessões pontuais excessivas para o CEO e o diretor operacional em meio a um desempenho relativo morno pioram as preocupações de longa data em relação ao programa de remuneração de executivos do banco”, escreveu a Glass Lewis em sua recomendação aos acionistas.
O J.P. Morgan obteve lucro em 2021, mas alertou que o aumento dos custos, incluindo US$ 15 bilhões com novas iniciativas, afetarão o resultado de 2022. Os acionistas disseram a Dimon e à sua equipe que eles não estão fornecendo detalhes suficientes sobre os planos de gastos, segundo informou o “Financial Times”.
Fonte: FT / Valor Econômico