A farmácia, tal como conhecemos hoje – com locais dedicados à preparação e dispensação de medicamentos – é fruto de um processo que atravessa civilizações e só se consolidou na Europa medieval.
Em sociedades antigas como Mesopotâmia, Egito, Índia e China, o mesmo profissional diagnosticava e preparava os remédios. Registros sumérios de 2600 a.C. já traziam receitas à base de plantas e minerais. No Egito, o Papiro Ebers, de 1500 a.C., reuniu centenas de fórmulas terapêuticas.
Na Grécia, no século IV a.C., o filósofo Teofrasto, discípulo de Aristóteles, escreveu Historia Plantarum, obra que o consagrou como “pai da botânica”. Já no Império Romano, o médico grego Galeno (129 a.C. a 200 d.C.) sistematizou técnicas de formulação que deram origem às “fórmulas galênicas”, base da farmacotécnica por séculos.
Segundo a obra “History of Pharmacy”, de Edward Kremers e George Urdang, o marco da profissionalização da farmácia ocorreu no século IX, em Bagdá, com a criação das primeiras lojas especializadas, as ‘saydalas’. Seus profissionais, os saydalani, eram licenciados e atuavam sob normas do Estado, configurando a primeira estrutura da farmácia como ofício independente da medicina. Um dos nomes relevantes dessa época foi Sabur ibn Sahl, autor de um dos primeiros manuais farmacêuticos.
A separação formal entre médicos e boticários – profissionais responsáveis pela manipulação de remédios – foi decretada em 1240 pelo imperador Frederico II, estabelecendo regras para atuação e controle de qualidade. Esse marco consolidou a farmácia como profissão autônoma na Europa.
Fonte: Valor Econômico