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A perspectiva de um diferencial de juros maior entre Brasil e Estados Unidos impulsionou o bom desempenho do real na sessão de ontem, que teve a melhor performance entre as 33 divisas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Em alguns momentos, o dólar flertou com o nível de R$ 5,50, mas encerrou o dia em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,510, em um dia marcado pelo alívio generalizado no preço da moeda americana.
A visão de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderá ser mais “dovish” (suave) e célere no processo de flexibilização monetária levou os futuros dos Fed funds, compilados pelo CME Group, a uma aposta majoritária na redução de 0,5 ponto percentual nos juros nesta semana. Não por acaso, o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,44% na sessão, para 100,668 pontos.
Para o sócio e diretor de investimentos (CIO) da Armor Capital, Alfredo Menezes, a valorização do real desde quinta-feira é uma antecipação do mercado ao cenário de diferencial maior entre os juros brasileiros e americanos. O executivo, porém, acredita que agentes poderão se frustrar. Ele avalia que as incertezas fiscais podem travar a vinda de fluxos para o país, além de ressaltar que o último trimestre costuma ser marcado pela saída de capital via pagamento de dividendos e envio de remessas das multinacionais às matrizes.
A piora fiscal voltou a assombrar agentes financeiros na sessão de ontem. No domingo, o ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o governo a emitir linhas de crédito extraordinário fora da meta fiscal para combater as queimadas no Brasil. Os juros futuros de longo prazo ficaram pressionados nesse cenário, diante de um aumento da incerteza em relação à condução da política fiscal. A taxa do DI para janeiro de 2027 subiu de 11,81% a 11,855%; e a do DI para janeiro de 2029 avançou de 11,90% a 11,97%.
Na avaliação do economista-chefe da Somma Investimentos, Cesar Garritano, a emissão de crédito extraordinário é uma “notícia ruim” que se soma às sinalizações da parte fiscal, o que, em geral, “tem sido um pouco pior”.
Com as expectativas inflacionárias desancoradas da meta de 3% e uma atividade econômica que cresce acima do potencial, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar um “miniciclo” de alta na quarta-feira, e maioria do mercado projeta uma elevação de 0,25 ponto na Selic, para 10,75%.
Ao incluir as altas da Selic nos próximos meses em seu cenário básico, o Bradesco se juntou ao consenso do mercado. Em relatório, o time de pesquisa econômica disse esperar quatro elevações consecutivas de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa de 10,5% para 11,5% em janeiro de 2025.
A subida dos juros futuros mais longos freou uma alta mais expressiva do Ibovespa, que operou “de lado” ao longo da sessão. O índice encerrou com leve avanço de 0,18%, a 135.118 pontos.
“Se não fosse o movimento do petróleo e o ‘upgrade’ do Itaú nas ações da PetrobrasCotação de Petrobras, a bolsa estaria no negativo em função dos juros futuros, resume Thalles Franco, cogestor do fundo de ação da RPS Capital. Para ele, as ações da PetrobrasCotação de Petrobras estão com níveis de “valuation” menos atrativos agora, enquanto a Prio está “barata” e pode ter aumento relevante de produção. Ontem, as ações preferenciais da estatal subiram 1,28%.
Ainda que o Copom eleve os juros, a Guide Investimentos avalia que deve prevalecer o impacto do juro americano sobre as ações. “Nas últimas vezes que tivemos alta de juros no Brasil e corte nos EUA, a correlação entre o Ibovespa e o S&P 500 foi elevada. Acreditamos que, em 2024, o padrão deve se repetir”, avalia o analista Mateus Haa.
Fonte: Valor Econômico

