Mesmo em um cenário de inflação persistente e juros altos, o presidente da farmacêutica aposta em capacidade produtiva, inovação e mentalidade regional para dobrar o faturamento da empresa até 2030
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João Adibe, CEO da Cimed: “O Brasil anda de lado, e é nesse cenário que eu consigo enxergar as brechas para crescer” (Leandro Fonseca /Exame)
O otimismo de João Adibe, CEO da Cimed, é acompanhado de uma boa dose de realismo. “Com taxas de 15% ao ano, como é que você investe?”, questiona o executivo durante o podcast “De frente com CEO”, da EXAME.+ Quem disse que você precisa sair do Brasil para ter uma formação global? A Saint Paul traz para a graduação o padrão de excelência que a tornou referência mundial. Inscrições abertas para a turma de 2026
“O empresário, para tomar risco agora, tem que calcular muito o negócio,” afirma.
Para ele, a inflação e o custo no Brasil travam o crescimento de empresas que poderiam avançar mais rapidamente. “Se tivéssemos mais capacidade produtiva, estaríamos crescendo ainda mais.”
A farmacêutica, uma das maiores do país, mesmo em um cenário desafiador, continua investindo no Brasil. Recentemente, apostou R$ 90 milhões em um novo centro logístico, com o objetivo de expandir sua capacidade de armazenamento e preparar terreno para a próxima fase de crescimento – que inclui uma nova fábrica em planejamento. A meta é ambiciosa: dobrar de tamanho até 2030, alcançando R$ 10 bilhões em faturamento.
A aposta: crescer quando o mercado desacelera
Apesar de o mercado farmacêutico não ter alcançado o crescimento de dois dígitos projetado para o ano, a Cimed mantém a meta de avançar o dobro do que o setor registra. “Essa é a nossa história. Se o mercado cresce 5%, a gente quer crescer 10%”, afirma Adibe.
O executivo acredita que é justamente em momentos de estagnação que surgem as maiores oportunidades.
“Sou um brasileiro otimista. Sempre lutei para fazer diferente. Mesmo quando o país anda de lado, dá para encontrar oportunidade. E é nesse momento que os líderes de verdade se formam.”
Inflação e consumo desigual
Entender o país real, segundo Adibe, é fundamental para escalar um negócio, especialmente em um país onde a inflação corrói o poder de compra e a desigualdade de consumo é gritante.
“O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, mas só 10 milhões consomem de fato. Os outros 190 milhões têm poder aquisitivo muito baixo. O segredo é entender em qual país você quer jogar e ter o produto certo para isso,” afirma o CEO.
A Cimed aposta nesse olhar regionalizado para crescer. “Temos mentalidade nacional, mas pensamento regional”, diz o CEO. A empresa opera com cadeia de distribuição própria e presença em todos os estados, o que permite adaptar o portfólio de produtos conforme as demandas locais.
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O futuro: inovação e consumo massivo
Mesmo com a inflação pressionando os custos, a farmacêutica continua investindo em pesquisa, desenvolvimento e novas categorias. Entre as apostas recentes estão produtos de estética e cuidados pessoais, além das linhas baby care e oral care.
O portfólio também é puxado por marcas líderes, como Lavitan, número um em vitaminas no Brasil, e Carmed, fenômeno de vendas na linha de hidratantes labiais.
“Tudo que uma farmácia compra, a gente tem interesse em fabricar e distribuir”, afirma Adibe.
Veja a entrevista completa de João Adibe, CEO da Cimed, ao podcast “De frente com CEO”:
Fonte: Exame