Biomm tem maior alta em 7 anos, após anúncio de que produzirá similar ao Ozempic
Ações dispararam 37,6% e encerraram o pregão a R$ 15,29, maior valorização da farmacêutica desde 1º de junho de 2017, quando o papel subiu 46,7%
PorAna Beatriz Bartolo, Valor — São Paulo
O anúncio da Biomm de que irá produzir um medicamento similar ao Ozempic no Brasil fez com que as ações da companhia disparassem 37,6% nesta quarta-feira (17), encerrando o pregão a R$ 15,29, o maior patamar para o papel desde outubro de 2021. O remédio é usado para tratar o diabetes tipo 2 e virou sensação entre quem quer perder peso.
Essa é maior valorização das ações da farmacêutica desde 1º de junho de 2017, quando o papel subiu 46,7%, após ter assinado um acordo para distribuição e comercialização de insulina humana inalável em pó com a americana MannKind Corporation.
Ao longo do dia, o volume movimentando chegou a R$ 5,4 milhões, quase 25 vezes os R$ 219,6 milhões negociados na terça-feira (16).
Mais cedo, a farmacêutica divulgou um acordo com a indiana Biocon para distribuir um medicamento que tem como princípio ativo a semaglutida, pertencente à classe análoga ao hormônio GLP-1, o mesmo utilizado no Ozempic.
A dinamarquesa Novo Nordisk tem direito de exclusividade sobre semaglutida até expirar a patente do produto, em 17 de julho de 2026. A partir daí, outros fabricantes poderão produzir similares com o mesmo princípio ativo.
No Brasil, o mercado dos medicamentos de classe GLP-1 é estimado em R$ 4 bilhões pela IQVIA, sendo que a semaglutida movimenta R$ 3 bilhões por ano. Nos últimos dois anos, as vendas do medicamento cresceram 39% ao ano no país.
Registro na Anvisa
Em entrevista ao Valor, o diretor-presidente da Biomm, Heraldo Marchezini, disse que a empresa já vai submeter o pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o medicamento esteja pronto para lançamento no varejo assim que a patente expirar. “Vamos nos preparar para lançar no dia seguinte à expiração da patente”, disse o executivo.
Marchezini disse que o preço do produto similar ainda será definido, de acordo com as condições do mercado. “Será um preço mais acessível que o atual”, disse.
Ele ainda afirmou que a nova unidade industrial da Biomm, em Nova Lima, que será inaugurada no dia 26, está adequada à produção da semaglutida futuramente. Em um primeiro momento, o medicamento será importado da Índia. Mais recente Próxima Prejuízo da Alcoa avança 9% no 1º trimestre
Fonte: Valor Econômico