PARIS — O vice-presidente JD Vance afirmou nesta quinta-feira que os EUA imporiam sanções a Moscou e, possivelmente, adotariam medidas militares caso o presidente russo, Vladimir Putin, não concordasse com um acordo de paz com a Ucrânia que garanta a independência de longo prazo de Kyiv.
Vance disse que a opção de enviar tropas americanas para a Ucrânia, se Moscou não negociar de boa-fé, permanecia “em aberto”, adotando um tom bem mais rigoroso do que o do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que na quarta-feira sugeriu que os EUA não comprometeriam forças.
“Existem ferramentas de alavancagem econômica, e, claro, há também ferramentas de alavancagem militar” que os EUA poderiam usar contra Putin, afirmou Vance.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, poucas horas depois do presidente Trump dizer que iniciaria negociações com Putin para pôr fim à guerra na Ucrânia, Vance comentou: “Acredito que sairá um acordo deste que vai chocar muita gente.”
Os comentários do vice-presidente, proferidos um dia antes de uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, representaram o apoio mais firme até o momento da administração Trump a Kyiv, frente às exigências russas de desarmar e substituir o governo atual.
“O presidente não vai entrar nisso com venda de olhos,” declarou Vance. “Ele vai dizer: ‘Tudo está sobre a mesa, vamos fechar um acordo.’”
Nesta quinta-feira, Trump afirmou a repórteres que a Ucrânia seria parte das negociações com a Rússia, uma demanda central de Zelensky. Contudo, Trump também disse que a Rússia deveria ser readmitida no clube dos Sete, composto por países ricos, e que a adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte era algo que a Rússia não podia permitir.
Vance está programado para discursar na Conferência de Segurança de Munique nesta sexta-feira, encontro de líderes globais para discutir ameaças comuns. Ele afirmou que pretende dizer aos líderes europeus aliados que estão sufocando a liberdade de expressão e a democracia ao não cooperar com partidos populistas.
Funcionários europeus, que se esforçam para conseguir reuniões bilaterais com Vance, esperavam que a primeira visita de alto nível da administração Trump iniciasse um novo nível de cooperação com os EUA num momento de turbulência global, e que trouxesse detalhes sobre o plano para acabar com a guerra na Ucrânia.
Em vez disso, Vance afirmou que diria aos líderes que a Europa precisa abraçar o crescimento da política antiestablishment, acabar com a migração em massa e frear as políticas progressistas. Ele disse que defenderia o retorno dos valores tradicionais e o fim dos crimes cometidos por migrantes.
“Na verdade, trata-se de censura e de migração, desse medo que o presidente Trump e eu temos, de que os líderes europeus estão, de certa forma, aterrorizados de seu próprio povo,” declarou Vance. Ele afirmou que incentivaria os políticos alemães a trabalhar com todos os partidos, inclusive com a extrema-direita e com o partido Alternativa para a Alemanha, que é anti-imigração.
Enquanto os formuladores de políticas começavam a chegar a Munique na quinta-feira, a polícia alemã informou que um migrante afegão teria dirigido um carro contra uma multidão de manifestantes de sindicatos na cidade, ferindo mais de duas dezenas de pessoas.
Sobre a Ucrânia, Vance disse que ainda era cedo para afirmar quanto do território do país permaneceria sob domínio russo ou quais garantias de segurança os EUA e outros aliados ocidentais poderiam oferecer a Kyiv. Segundo ele, esses detalhes precisariam ser definidos durante as negociações de paz.
“Há inúmeras formulações, configurações possíveis, mas nos importamos com que a Ucrânia tenha independência soberana,” afirmou.
Trump disse que Putin deseja acabar com o conflito, que o líder russo iniciou há três anos com uma tentativa de invasão em larga escala que matou centenas de milhares de pessoas e devastou partes da Ucrânia. As forças russas controlam atualmente quase 20% do território ucraniano.
Vance afirmou que a administração Trump pretende convencer Putin de que a Rússia alcançará mais na mesa de negociações do que no campo de batalha.
Ele se dispôs a “reiniciar” o relacionamento com a Rússia após um acordo bem-sucedido sobre a Ucrânia, afirmando que o atual isolamento de Moscou dos mercados ocidentais a torna subordinada à China.
“Não é do interesse de Putin ser o irmão mais novo em uma coalizão com a China,” concluiu Vance.
Em reunião da OTAN realizada na quarta-feira em Bruxelas, Hegseth afirmou que as fronteiras da Ucrânia dificilmente seriam as mesmas de antes da invasão inicial em 2014, que as negociações não terminariam com a adesão da Ucrânia à OTAN e que não-americanos teriam de fornecer garantias de segurança.
Hegseth esclareceu seus comentários na quinta-feira, dizendo a repórteres em Bruxelas que “quais concessões serão feitas ou não” dependeriam de Trump.
Vance concordou que Trump poderia mudar de ideia dependendo de como as negociações se desenrolassem.
“O presidente Trump poderia dizer: ‘Olha, nós não queremos essa coisa, talvez não gostemos dela, mas estamos dispostos a colocá-la de volta na mesa se os russos não forem bons negociadores, ou se houver coisas muito importantes para os ucranianos que queiramos tirar da mesa’,” afirmou.
Sobre a política europeia, Vance criticou os políticos tradicionais do continente, dizendo que eles utilizam um vocabulário de estilo soviético — como desinformação ou informação errônea — para rejeitar pontos de vista contrários. Vance afirmou que a interferência russa na democracia ocidental foi exagerada nos EUA e na Europa, e que a recusa em controlar a migração representa uma ameaça muito maior à democracia do que a intromissão de Moscou nas eleições.
“Se a sua sociedade democrática pode ser derrubada por US$ 200 mil em anúncios nas redes sociais, então você deveria repensar seriamente o quão forte é seu domínio sobre, ou o quão bem você compreende, a vontade do povo,” declarou Vance.
Segundo ele, manter partidos de extrema-direita, que fazem campanha contra a migração, fora das coalizões de governo equivale a cercear a vontade do povo, que repetidamente tem pedido por maior controle de fronteiras. “Acredito, infelizmente, que a vontade dos eleitores tem sido ignorada por muitos dos nossos amigos europeus,” afirmou.
Em seu discurso, Vance também apoiará Elon Musk, o empresário bilionário aliado de Trump. A campanha política de Musk na Europa, inclusive pelo partido Alternativa para a Alemanha — grupo que está sob vigilância por extremismo — tem sido alvo de críticas quase unânimes de líderes europeus, como o chanceler alemão Olaf Scholz e o presidente francês Emmanuel Macron. Ambos estarão na plateia para ouvir o discurso de Vance.
Vance afirmou que Musk não fala em nome de Trump. Contudo, disse concordar com Musk no sentido de que os países europeus precisam parar de permitir a entrada de um grande número de migrantes do Oriente Médio, África e de outras regiões. Ele também disse que os líderes europeus estavam errados ao criticar Musk por se posicionar publicamente.
Fonte: Wall Street Journal
Traduzido via ChaGPT


