
A venda da farmacêutica Medley caminha para a reta final. A francesa Sanofi, dona da fabricante de medicamentos genéricos, vai receber no começo de março as ofertas vinculantes das seis interessadas que passaram para esta última fase: Aché, Sun Pharma, EMS, Biolab, Hypera e a gestora Vinci, de acordo com fontes. As empresas têm até o dia 4 de março para entregar as propostas.
Segundo as fontes, a Sanofi estabeleceu um piso de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) pela Medley, o que daria um múltiplo de 10 vezes o Ebitda (resultado operacional), valor considerado alto hoje para o setor. “Quem ofereceu US$ 350 milhões nem se qualificou para a próxima rodada de negociações”, disse uma fonte que acompanha a operação. A Sanofi comprou a Medley no Brasil em 2009, por R$ 1,5 bilhão. A Medley tem faturamento anual de R$ 1,5 bilhão. A venda está sendo tocada pelo banco de investimento Lazard.
Com o dólar no patamar atual (R$ 5,25), a indiana Sun Pharma chega como favorita no processo, segundo fontes. A empresa é uma das maiores do mundo em genéricos e opera verticalizada, ou seja, produz também os princípios ativos dos medicamentos. A aquisição seria a porta de entrada dela no varejo farmacêutico brasileiro. Entre as brasileiras, a EMS é apontada como a favorita, embora tenha um portfólio parecido com o da Medley. “A disputa deve ficar entre EMS e a indiana”, comenta um banqueiro que está acompanhando o processo.
Uma fonte próxima à EMS e que aceitou falar sem ter o nome identificado, confirmou à Coluna o interesse da farmacêutica pela Medley, e disse que um eventual acerto para ficar com a concorrente “depende agora do posicionamento da Sanofi”.
Companhia é a quarta maior do ramo
Hoje, a Medley é a quarta maior empresa em vendas de genéricos do País, ficando atrás da EMS, Eurofarma e NeoQuímica, que é o braço para o segmento da Hypera. Nesta quarta-feira, 4, após a Hypera anunciar um aumento de capital privado de até R$ 1,5 bilhão, o mercado passou a apostar que a farmacêutica usaria os recursos para bancar a aquisição da Medley.
A Hypera afirma, no comunicado oficial da operação, que o “aumento de capital tem o objetivo de fortalecer a estrutura de capital da companhia, por meio da redução do seu endividamento líquido” e destaca que “essa iniciativa ampliará a capacidade de investimento da companhia em oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico”.
Analistas do Itaú BBA dizem que conversaram com agentes do mercado e que “a visão deles é que o anúncio está alinhado com as discussões em andamento no mercado sobre a Hypera como uma potencial compradora de uma grande empresa do segmento de genéricos”. O Citi também citou a questão em relatório.
Processo começou em 2024
A venda da Medley começou no final de 2024, mas parou por alguns meses por conta de um processo de auditoria, considerando que a Medley divide algumas de suas fábricas com a Opella, a unidade de saúde ao consumidor na qual a Sanofi mantém uma posição minoritária. O controle foi vendido no ano passado para o fundo americano Clayton Dubilier & Rice. Havia fábricas produzindo tanto para a Opella como para a Medley, o que deixava a venda mais complexa por conta das diligências necessárias.
Outra fonte próxima a uma das farmacêuticas interessadas na Medley comentou que o maior impasse para fechar negócio hoje é o preço pedido pela empresa. Na avaliação dessa pessoa, embora seja um ativo relevante, uma pedida de aproximadamente US$ 500 milhões pode afastar algumas das potenciais compradoras. “É uma pena. A empresa é um filé, mas está com o preço um pouco alto”, comentou.
Procurada, a Sanofi afirma que, “no contexto de sua transformação global para se tornar uma biofarmacêutica focada em P&D, IA, vacinas e medicamentos inovadores, está avaliando opções estratégicas para o negócio de genéricos Medley, com o objetivo de apoiar seu crescimento sustentável e sucesso de longo prazo”. “Desde o anúncio do processo de independência da Medley, em agosto de 2025, a companhia vem analisando oportunidades com potenciais parceiros estratégicos alinhados a essa visão. A Sanofi segue comprometida com a continuidade das operações da Medley e com sua missão de ampliar o acesso à saúde no Brasil”, acrescenta, em nota enviada à Coluna.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 04/02/2026, às 17:00
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Fonte: Estadão