A maioria ou 58% dos executivos acreditam que a inteligência artificial (IA) está avançando mais rápido do que as companhias podem capacitar os empregados. É o que indica o “Estudo de tendências de talentos globais 2024”, levantamento feito pela consultoria Mercer com 12.298 pessoas, entre executivos, diretores de RH, funcionários e investidores de empresas em 17 países, incluindo o Brasil.
Para especialistas e gestores de IA, reforçar as lideranças da área é o primeiro passo para que a “aterrissagem” da nova tecnologia nas corporações seja mais tranquila. “De acordo com a pesquisa, a terceira maior prioridade dos RHs é ‘replanejar’ o trabalho para incorporar a IA, logo atrás de melhorar o planejamento estratégico e a experiência dos funcionários”, detalha Rafael Ricarte, diretor de negócios de carreira da Mercer Brasil.
Os dados indicam que o rápido crescimento da IA generativa gera uma expectativa, entre as diretorias, de aumentar a produtividade da força de trabalho: 40% dos gestores preveem que o recurso pode proporcionar, nesse início de largada, ganhos de mais de 30%. No entanto, segundo o estudo, menos da metade (47%) assinala que podem atender à demanda de trabalho este ano, no setor, com o atual quadro de talentos. “Um nível de diretoria específica de IA ainda é incomum no mercado brasileiro, mas veremos a ascensão gradual [desse posto] nas empresas”, constata Ricarte. “Entretanto, será condição pétrea para qualquer executivo o entendimento sobre a tecnologia, possibilidades de adoção e impactos nos negócios.”
Foi esse conhecimento que levou Wladmir Cardoso Brandão, então CTO (diretor de tecnologia) da Sólides, para o cargo de chief AI officer (diretor de IA), criado em agosto, na startup de soluções de RH. “A experiência em pesquisa aplicada em IA e na liderança de equipes de cientistas de dados me capacitaram para a posição”, avalia o executivo, na empresa desde 2021.
Brandão já assumiu a cadeira com tarefas no horizonte. “A missão é incorporar soluções baseadas em IA e obter resultados financeiros”, resume. Estão em curso mais de 20 projetos de pesquisa e desenvolvimento que devem permitir a incorporação de dez recursos baseados em IA nas soluções da marca, além de três novos sistemas de apoio às áreas de negócios, acrescenta. Uma das aplicações em evolução é o “radar de rotatividade”, que informa às empresas clientes, por meio de dados, os funcionários que correm algum risco de desligamento.
Para o executivo, que é doutor em ciência da computação e atua há 25 anos com ensino e pesquisa em gestão de dados, a experiência é um ativo importante para quem vai conduzir times de IA. “Um grande desafio no cargo é o educacional”, destaca o gestor, que comanda 15 profissionais. “Ou como orientar o público sobre os potenciais e as limitações da IA.”
Além da disposição para orientar os times, Caio Gomes, diretor de inteligência artificial do Magalu, acredita que a liderança da área requer um perfil “além do técnico”. “É necessário entender o negócio e as dores do consumidor”, diz. “Uma nova ‘maneira de pensar’ exige que as pessoas avaliem suas ‘percepções de mundo’.”
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Adriana Lika, diretora de dados e IA da operadora Vivo, conhecida por liderar, há dez anos, os primeiros projetos de desenvolvimento de soluções de big data da empresa, defende que estudar mais sobre inovação pode suavizar a jornada das chefias do setor. “Ter feito uma especialização em inovação me permitiu não apenas me movimentar para essa carreira, como trouxe novos conhecimentos, em desenvolvimento ágil e design thinking, que me ajudam a falhar mais rápido e identificar produtos minimamente viáveis para o negócio”, garante.
Fonte: Valor Econômico