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Uma cultura corporativa permanentemente voltada ao novo, diversidade nas equipes de especialistas e ousadia para avançar rumo à excelência de produtos e serviços. Esses são alguns dos principais ingredientes encontrados nas estratégias das empresas mais bem pontuadas no anuário Valor Inovação Brasil .
A principal premiação de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Brasil, realizada pelo Valor em parceria com a Strategy&, da consultoria PwC, chega à décima edição revelando que metade das companhias que conquistam o topo do ranking reservam mais de 5% da receita líquida para investir em inovação e estão mais afiadas no uso de sistemas de governança que dão musculatura a novos projetos.
“É irresistível não fazer um paralelo entre o motivo que nos traz aqui a esta festa e as nossas conquistas olímpicas. Para os medalhistas, finalistas, recordistas e competidores, o caminho até o topo do esporte é uma construção. Que – sem exceção – tem trabalho em equipe, ousadia de tomar riscos, obstinação, mentalidade vencedora, muitos erros e acertos, e erros e acertos de novo. Tenho certeza de que a trajetória das empresas mais inovadoras que venceram inclui tudo isso”, disse Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor, na abertura do evento.
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Ao receber o prêmio, Sidney Klajner, presidente do Einstein, primeiro colocado no ranking, também fez uma analogia com os jogos olímpicos: “Ao longo das edições do Valor Inovação, o Einstein foi escalando degraus. Esteve entre os finalistas da área da saúde, despontou algumas vezes como o melhor do setor e boa classificação também no ranking geral. Mas sermos escolhidos como melhor de todos os setores desperta sentimentos ainda mais fortes, semelhantes aos que temos visto com os atletas da Olimpíada quando sobem ao alto do pódio e recebem a medalha de ouro. Só que no nosso caso seria em uma modalidade coletiva. Na verdade, seria uma categoria multimodalidade coletiva. Isso não existe nos jogos olímpicos, mas existe no Einstein”.
As empresas que se destacam no ranking jogam em muitas frentes. “As marcas mais bem colocadas no prêmio acionam o ‘play’ de empresas inovadoras como principal estratégia”, afirma Jacques Moszkowicz, sócio da Strategy& e responsável pela metodologia da pesquisa que embasa a premiação.
Outro cenário comum entre as líderes na pesquisa é que elas exploram, em média, 40% a mais de aspectos ligados à tecnologia nas inovações do que as demais integrantes do levantamento. “As líderes citam mais a inteligência artificial [IA] nos processos de trabalho do que a média de todas as companhias do estudo”, compara Moszkowicz.
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Considerando aspectos como tecnologia, olhar para o futuro e eficiência, a pesquisa aponta as 150 empresas mais inovadoras do país em 25 setores da economia. “Anualmente, esse compilado de bons exemplos em diversos setores ajuda a impulsionar ainda mais o ecossistema de inovação no Brasil”, diz Gerson Charchat, sócio e líder da Strategy& Brasil. “Nós ajudamos a tangibilizar para o público e outras organizações caminhos e reflexões que podem ser positivos para estratégias sólidas que consideram adaptabilidade e transformação da força de trabalho e dos modelos de negócio.”
Moszkowicz chama a atenção para a “inovação arquitetônica” das campeãs. Nesse conceito, a chegada de uma ação inovadora demanda o desenvolvimento de novas competências na empresa e resulta em modelos de negócios inéditos, diferentemente do que os estudiosos chamam de “inovação rotineira”. “Quase 30% dos casos das empresas melhor posicionadas foram classificados como inovação arquitetônica”, diz. “São companhias arrojadas que adotam a tecnologia e a IA como motores da inovação.”
Desde a edição de 2023, as menções à IA generativa aumentam nos casos analisados. “No ano passado, cerca de 14% mencionaram o uso de algum tipo de IA. Em 2022, esse número era de 7%”, afirma Moszkowicz. “Vamos ver um amadurecimento da utilização desse recurso na automação, na eficiência e no foco em produtividade”, avalia.
O consultor observa que a maior pluralidade das equipes de inovação também contribuiu para a escalada das vencedoras.. “A nossa hipótese é que quanto maior for a diversidade de pensamentos e de formações, mais rica será a fomentação de ideias.”
No Einstein, primeiro colocado no ranking, a estratégia de inovação é transversal e mira a colaboração entre áreas e com outras organizações. Em 2023, a instituição investiu 5% da receita (R$ 240 milhões) em inovações tecnológicas, considerando aportes em nichos como startups, pesquisa clínica, robótica e transformação digital. São 458 colaboradores envolvidos diretamente com inovação – 2% de um total de 22.770 empregados – sendo mais da metade (235) atuando com pesquisas.
Nos próximos anos, o Einstein deve investir mais em IA, para diagnósticos e tratamentos. “A biotecnologia será outra área de interesse, com a expansão da capacidade de pesquisa e desenvolvimento em terapia celular e genética”, adianta o diretor executivo de inovação, Rodrigo Demarch.
Na Suzano, maior fabricante de celulose do mundo, o futuro acena para inovações mais “limpas”, segundo Fernando Bertolucci, vice-presidente executivo de sustentabilidade e inovação. “As soluções que o mundo precisa para enfrentar a crise climática têm de ser escaláveis”, diz. O mundo funciona em colaboração e a inovação não deve ser propriedade exclusiva de uma empresa, assinala.
A fim de pavimentar novos experimentos, que incluem projetos para a geração de biomateriais, como a lignina, utilizada em setores como cosméticos e construção civil, os montantes investidos pela Suzano em P&D saltaram de R$ 163,4 milhões, em 2020, para R$ 236,7 milhões em 2023.
Para o reitor do Ibmec-Rio, Samuel Barros, coordenador do MBA de liderança, inovação e tecnologia na instituição, “o processo de inovação precisa vir de uma liderança comprometida e tolerante às falhas”.
É o que está fazendo a Dexco (antiga Duratex), de materiais de construção. Uma das ações em andamento é o programa Imagine, que desde 2012 consolida as ações de intraempreendedorismo do grupo. “A intenção é capacitar os funcionários para sugerir ideias inovadoras, levando em conta a melhoria da eficiência e o incremento operacional”, diz o diretor de TI e growth, Daniel Franco. Em 2023, foram mais de 28 mil sugestões, sendo que as propostas implantadas geraram retorno de R$ 20,3 milhões para a empresa.
Na Energisa, de soluções para o mercado de energia elétrica, a cultura inovadora foi erguida a partir de processos de governança que se comunicam. A frente de ações inclui desde uma estrutura organizacional ligada diretamente ao CEO a uma metodologia para a criação de produtos baseada em indicadores. “Nesse contexto, a resistência à mudança e o medo de falhar precisam ser evitados”, ressalta Ricardo Botelho, CEO do Grupo Energisa.
É fundamental também que todos na organização se sintam parte importante do processo de evolução dos negócios. “Não temos uma área responsável por toda a inovação na empresa e temos orgulho disso”, diz Daniel Knopfholz, vice-presidente de pessoas e tecnologia do Grupo Boticário. “Isso é um dos pilares que promove a inovação: todos são responsáveis por inovar o tempo todo, nas suas funções.”
Rafael Miotto, presidente para a América Latina da CNH, com atuação na agricultura, construção e serviços financeiros, aposta na inovação aberta para acelerar a produtividade. “A contribuição de expertises internas e externas para somar conhecimentos deve ser valorizada”, diz.
Rodrigo Duclos, diretor de inovação e digital da Claro, não acredita que toda inovação precisa ser sempre disruptiva ou grandiosa – mas é fundamental saber gerenciar diferentes tipos de projetos. “Inovações incrementais são necessárias e fazem com que todos na empresa possam se engajar.”
A inovação eficiente caminha a serviço dos negócios, acrescenta Rodrigo Fumo, diretor-superintendente de motores industriais da WEG. “É ela que torna possível o negócio ficar à frente da concorrência e capturar oportunidades”, diz o executivo. Fumo explica que acelerar o processo de inovação foi decisivo para o sucesso da empresa em mercados exigentes, como a Europa e os Estados Unidos, a partir dos anos 1990. “Inovar é uma questão de sobrevivência. Se a empresa não fizer isso, fica limitada”.
A opinião é compartilhada por Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil. “A construção de uma cultura inovadora é um processo contínuo”, pontua. “Requer a combinação de fatores como liderança, recursos e ambiente de apoio. A equipe de liderança desempenha um papel crucial na definição do tom da inovação e no incentivo aos funcionários para pensarem ‘fora da caixa’.”
Leonardo Garnica, líder de inovação corporativa da EmbraerCotação de Embraer, lembra que a pesquisa de novos recursos não pode sair do DNA das organizações criativas. “Na EmbraerCotação de Embraer, a inovação não está restrita a uma área de P&D. Faz parte da cultura da companhia”, diz. “Envolve toda a companhia na procura de mais eficiência, na melhoria dos produtos e em novos paradigmas de mercado.”
As empresas vencedoras foram anunciadas nesta segunda-feira em evento no JK Boulevard, espaço da Bisutti.
Fonte: Valor Econômico