Estratégia bem definida e disciplina na sua execução são algumas das características por trás de uma das maiores conquistas do Grupo FleuryCotação de Grupo Fleury ao longo de seus 98 anos: a integração com o laboratório Hermes Pardini. Aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio do ano passado, a aquisição contribuiu para a receita bruta do grupo mais que dobrar desde 2020, saltando de R$ 3,2 bilhões para R$ 7 bilhões em 2023. Este ano, os indicadores do primeiro semestre embasam a expectativa de o grupo chegar a R$ 8 bilhões até dezembro.
A fórmula para alcançar esses resultados combina diversificação de fontes de receita, inovação e foco nos aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). Os desafios do setor de serviços de saúde são muitos e passam pela sustentabilidade econômica em meio ao cenário de aumento de custos – que é acentuado pelo envelhecimento da população brasileira e pelo crescimento do número de portadores de doenças crônicas.
“Nossa visão inclui a ambição de nos tornarmos um líder do setor não só com medicina diagnóstica, mas também com outros serviços e soluções mais sustentáveis para o sistema de saúde”, aponta a CEO do grupo, Jeane Tsutsui. Para chegar lá, diversificando os serviços ofertados, os lugares de atuação e os perfis de clientes, o grupo aposta na expansão orgânica e também nas operações de fusões e aquisições.
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De 2017 para cá, 18 aquisições ajudaram a expandir a cobertura para 14 Estados e o Distrito Federal, com mais de 500 unidades de atendimento. A última compra foi o catarinense São Lucas, anunciada em abril, por cerca de R$ 70 milhões. A integração com o Hermes Pardini rendeu cobertura nacional graças à rede de atendimento Lab to Lab, com processamento de exames para mais de 7,6 mil laboratórios parceiros espalhados em 2,2 mil municípios do país, um novo segmento potencial para absorver ofertas de ponta da marca Fleury, como a genômica.
O sistema compõe uma das avenidas de crescimento do grupo, batizada internamente de Novos Elos. Desde 2021, essa avenida inclui serviços além da medicina diagnóstica: desde consultas até serviços de cirurgia e day hospital, por enquanto voltados para especialidades como ortopedia, oftalmologia, infusão de medicamentos e fertilidade. Sua participação na receita total da companhia já alcança 7,7%. As demais avenidas cobrem a medicina diagnóstica no segmento consumidor (B2C) e no empresarial (B2B). A quarta delas abrange plataformas de saúde com serviços digitais.
Ao lado da busca pela excelência médica, o grupo coloca ciência, tecnologia e inovação entre suas fortalezas. Hoje, conta com cerca de 27 mil colaboradores, sendo mais de cinco mil médicos. Nos últimos dois anos, desenvolveu mais de 1.181 produtos e serviços, tais como a incorporação no portfólio de detecção de Alzheimer por teste de sangue, a solução Meu Fleury, que fornece histórico completo dos dados de saúde dos pacientes coletados fora do consultório, a ampliação do projeto Enterprise (de automação laboratorial) e o uso de inteligência artificial (IA). Os investimentos nas áreas de tecnologia da informação subiram 34% em 2023, para R$ 200 milhões.
Só no ano passado, a IA identificou 1,5 mil casos críticos, como tromboembolismo pulmonar ou AVC, a serem priorizados entre 30 mil exames de tomografia. Também reduziu em até 50% o tempo de aquisição de imagens. Além disso, o sistema aberto de inovação do grupo rendeu parcerias com mais de 57 startups em 27 áreas da organização, para otimizar fluxos e processos e melhorar a experiência do paciente. Entre elas, a Speed Bird implantou rota de drone na região metropolitana de Belo Horizonte (MG) para transporte de amostras biológicas, enquanto a Quoretech permitiu oferecer holter sem fio.
“Além de receita, entregamos rentabilidade”, diz a CEO do Fleury. A magnitude da operação, com 77 milhões de atendimentos e 318 milhões de exames realizados a cada ano, levou a organização a alcançar no ano passado Ebitda de R$ 1,59 bilhão, 33,7% acima de 2022, e margem de 24,6%, enquanto o lucro líquido cresceu 36,3%, para R$ 420,8 milhões, margem de 7,2%. “Em um cenário de juros altos, a estrutura de capital robusta colaborou para dívida líquida de 1,1 vez o Ebitda no segundo trimestre deste ano”, acrescenta Tsutsui.
A disciplina alicerçou a integração com o grupo Pardini. A experiência, adquirida em aquisições de menor porte, contribuiu para definir um processo estruturado, com mais de 70 iniciativas lideradas pela alta gestão para captura de sinergias e integração de culturas e processos. Eficiência logística, diluição de custos e combinação de equipes em áreas como pesquisa e desenvolvimento estão entre os resultados.
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“A cultura da organização se fortalece com a combinação de negócios, com aderência mútua a elementos como foco no cliente, acolhimento, inovação, qualidade, eficiência e práticas ESG”, relata Tsutsui. O ESG é um tema que já merecia atenção especial, mas que foi acentuado com a emissão de debêntures ESG em 2021 e a criação de um comitê coordenado pelo presidente do conselho de administração.
As questões sociais se refletem, externamente, na ampliação da cobertura para expansão do acesso à saúde pela população, além de metas atreladas às debêntures, como alcançar um milhão de clientes das classes C, D e E até 2025. No ano passado, a meta de chegar a 86,9 mil pacientes com esse perfil foi superada (foram 95 mil). Internamente, a agenda de diversidade, equidade e inclusão é tratada em um comitê próprio. O Fleury conta com participação de 70% de mulheres em cargos de liderança, desde coordenadoras, sendo 45% da liderança composta por mulheres negras.
No aspecto ambiental, as metas atreladas às debêntures ESG incluem itens como a diminuição de 20% dos resíduos biológicos até 2025. Outro compromisso é a redução da pegada de carbono, visando à neutralidade em 2050.
Uma das iniciativas para tanto é a ampliação do uso de energia renovável, cuja parcela já representa 90,5% do total consumido no grupo, com apoio de duas usinas fotovoltaicas, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. A pauta inclui maior uso de veículos elétricos, inclusive por parceiros logísticos. Só o uso de drones já estancou a emissão de 1,3 tonelada de CO2 em 2023. “A governança em práticas ESG, com remuneração de executivos atrelada ao atingimento de metas e programas de educação continuada sobre o tema, rendeu a liderança sobre o assunto, estabelecida a partir dos princípios de nossa visão estratégica”, afirma a CEO.
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