O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz aumentou nesta semana, com a média móvel de sete dias para travessias atingindo, na sexta-feira, o nível mais alto desde o início da guerra.
Mais embarcações estão cruzando a região, incluindo navios sem ligação clara com o Irã ou a China, à medida que países negociam com Teerã para garantir a passagem de seus navios. As travessias no último dia foram lideradas por navios transportadores de gás liquefeito de petróleo, incluindo um com destino à Índia e outros com vínculos iranianos.
Um total de 13 embarcações cruzaram o estreito desde a manhã de sexta-feira, sendo 10 saindo do Golfo Pérsico e três entrando a partir do mar aberto, segundo dados de rastreamento compilados pela Bloomberg.
Ainda assim, esse número é baixo em comparação com o período anterior à guerra iniciada em 28 de fevereiro. Em tempos normais, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito do mundo passa diariamente pelo estreito.
O Irã tem reforçado seu controle sobre a via marítima, estabelecendo um sistema de cobrança (pedágio) e orientando a maioria dos navios a seguir uma rota específica próxima à sua fronteira. No último dia, todas as travessias registradas ocorreram por essa passagem estreita ao norte, situada entre as ilhas iranianas de Larak Island e Qeshm Island.
Travessias recentes incluem um navio porta-contêineres francês e um petroleiro de gás natural liquefeito de propriedade japonesa, aparentemente as primeiras desse tipo desde o início da guerra. Não está claro se essas viagens foram resultado de negociações diplomáticas ou de acordos feitos por empresas de transporte marítimo e seus intermediários.
Segundo a agência, o rastreamento de navios-tanque tem sido dificultado por interferências eletrônicas nos sinais das embarcações, e alguns navios desligam seus transponders AIS (equipamentos de bordo que transmitem e recebem automaticamente dados de navegação) em áreas de alto risco, reduzindo ainda mais a precisão e a confiabilidade dos dados.
Cinco navios graneleiros e um petroleiro de derivados de petróleo se juntaram a quatro navios de gás liquefeito de petróleo na saída do Golfo Pérsico desde a manhã de sexta-feira. Três dos graneleiros e o petroleiro deixaram a região na manhã de sábado. Com exceção do navio de gás liquefeito de petróleo indiano, os demais têm ligação com interesses chineses ou iranianos.
Como alguns navios “somem” dos radares em áreas de risco, o número de travessias pode inicialmente parecer menor e ser revisado para cima conforme dados atrasados são disponibilizados.
Dois navios de gás liquefeito de petróleo e um petroleiro com vínculos iranianos estão entre as embarcações que entraram na região desde a manhã de sexta-feira.
Fonte: Valor Econômico