Considerando a expansão de gastos que o Brasil viveu nos últimos quatro anos, a tendência da dívida e dos gastos do país é “explosiva”, disse hoje Luis Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset. Para ele, a gestão fiscal do país é uma “surpresa negativa” do governo Lula e o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) para 2025 inclui “exagero nas receitas” e “despesas subestimadas”.
O projeto, enviado ao Congresso na noite de sexta-feira, tem “esse estilo de exagero nas receitas, com receitas que não vão ocorrer, como receitas extraordinárias de R$ 120 bilhões, sendo que neste ano vai ser de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões”, disse durante painel na Expert XP.
Se o lado fiscal é negativo, a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central foi a surpresa “mais positiva do que negativa”, segundo o fundador da Verde. Para ele, mesmo dando declarações, em alguns momentos, antagônicas “e um pouco confusas”, o comprometimento de Galípolo com a meta de inflação é algo bom.
Os gastos do governo também foram motivos de críticas de André Jakurski, sócio-fundador da JGP. Para ele, o Banco Central deveria aumentar mais que 1,5 ponto percentual na Selic se o objetivo for manter a inflação dentro da meta. “Eu sempre me expressei que a meta de 3% é muito agressiva porque obrigaria o BC a jogar os juros mais alto, Na prática, empiricamente, eu acho que estão mirando 4%. Não é que seja a vontade expressa dele, mas está indo nessa direção.”
Jakurski avalia que, do jeito que a economia está, um aumento menor do que 1,5 p.p. não faria diferença.
Para Rodrigo Azevedo, fundador da Ibiúna, “é difícil olhar pra economia e ver um pedido de queda de juros”. “Os modelos de inflação sugerem que ela está um pouco acima da meta ou muito acima da meta”, explicou, defendendo que o BC deveria ser proativo no momento. “Quando olho pra frente, o apropriado seria um ajuste de 150 bps até o fim do ano”, disse.
Fonte: Valor Econômico
