A Takeda Pharmaceutical está reformulando suas operações nos Estados Unidos antes da mudança de liderança em junho, cortando 400 empregos e investindo em produtos sanguíneos e outras áreas prioritárias. A empresa busca melhorar a lucratividade em um mercado que representa mais da metade de suas vendas consolidadas.
A companhia japonesa espera realizar os cortes de empregos ainda neste ano, com base em notificações enviadas ao estado de Massachusetts de acordo com a Lei de Ajuste e Retreinamento de Trabalhadores dos Estados Unidos (Warn).
A Takeda planeja cortar 137 empregos até o fim de julho, em decorrência do anúncio feito no ano passado de que encerrará a pesquisa em terapia celular devido à falta de perspectivas claras de resultados a curto prazo. Com a expiração da patente americana de seu antidepressivo Trintellix prevista para dezembro, a farmacêutica começou em janeiro a demitir funcionários da área de vendas e outros trabalhadores envolvidos nesse negócio, afetando 243 pessoas até o momento.
Em maio de 2024, a Takeda anunciou reformas estruturais para priorizar a alocação de recursos a medicamentos candidatos com maior probabilidade de chegar ao mercado, incluindo tratamentos para doenças de pele e distúrbios do sono.
“Revisamos nossas prioridades em preparação para o lançamento de novos medicamentos nos Estados Unidos”, disse um representante da Takeda sobre a redução no quadro de funcionários.
A farmacêutica já havia fechado um centro de pesquisa em San Diego, resultando na demissão ou transferência de mais de 300 funcionários. Mais de 800 empregos foram cortados em outras instalações nos Estados Unidos desde o anúncio da reestruturação em 2024.
Enquanto isso, a Takeda está aumentando o investimento em áreas que designou como prioritárias — incluindo US$ 230 milhões para expandir a produção de hemoderivados em Los Angeles, com a capacidade adicional prevista para entrar em operação em 2027. Isso elevará a produção em até 2 milhões de litros por ano, para um total de 8 milhões de litros.
A empresa afirmou que planeja investir US$ 30 bilhões em instalações de produção e pesquisa nos Estados Unidos nos próximos cinco anos.
O executivo-chefe (CEO) da Takeda, Christophe Weber, deixará o cargo em junho, sendo sucedido por Julie Kim, inaugurando uma nova estrutura de gestão.
A Takeda adquiriu a Shire, uma farmacêutica com sede na Irlanda, em 2019. Weber, que liderou a aquisição, afirmou que a Takeda precisava expandir sua atuação nos Estados Unidos para se tornar competitiva internacionalmente. A aquisição da Shire acelerou os esforços da empresa para ampliar sua presença em território americano e impulsionou sua globalização, disse Weber.
Os gastos com medicamentos nos Estados Unidos atingiram US$ 920,4 bilhões em 2025, segundo a empresa de pesquisa americana IQVIA, representando aproximadamente metade do total global. Espera-se que o mercado americano alcance US$ 1,32 trilhão até 2030.
A Takeda obteve 2,37 trilhões de ienes (US$ 15 bilhões) em vendas nos Estados Unidos durante o ano fiscal encerrado em março de 2025, o que corresponde a 52% do total da empresa.
Kim, ex-funcionário da Shire, liderou os negócios da Takeda nos Estados Unidos até o ano passado e espera-se que dê continuidade à visão de liderança de Weber. Com o aumento dos custos de descoberta de medicamentos, muitas empresas farmacêuticas, incluindo a Takeda, dependem do mercado americano para a maior parte do retorno de seus investimentos. Priorizar a presença da Takeda nos Estados Unidos garantirá uma transição tranquila.
Os negócios no Japão representam apenas 10% das vendas totais da Takeda, e a presença dessa operação na empresa diminuirá em termos relativos como resultado da reorganização.
Com a criação da Unidade de Negócios Internacionais para supervisionar todos os mercados fora dos Estados Unidos, o segmento japonês, anteriormente independente, passará a ser gerenciado pela unidade. A Unidade de Negócios dos Estados Unidos continuará operando de forma independente.
No ano fiscal de 2017, antes da aquisição da Shire, as operações japonesas geraram 30% das vendas totais, em linha com o segmento dos Estados Unidos. Nos anos subsequentes, a receita japonesa diminuiu devido ao declínio populacional e à redução dos preços dos medicamentos no Japão.
A operação japonesa continuará desempenhando um papel fundamental para a Takeda. Além de servir como sede da empresa, o Japão é onde a Takeda desenvolve tratamentos para distúrbios do sono, que têm potencial para se tornarem medicamentos de grande sucesso.
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Fonte: Valor Econômico