O dono da rede de farmácias Ultrafarma, Sidney Oliveira, foi preso na manhã desta terça-feira (12) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que visava desarticular um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria de Estado da Fazenda.
Segundo apontou a investigação, um fiscal de tributos estadual manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários às empresas, em troca de uma propina mensal.
Esta não é a primeira vez que Oliveira aparece envolvido em casos de sonegação ou fraude fiscal. Há ao menos três outras situações, detalhadas na mídia, em que o empresário foi investigado.
O Valor procurou a Ultrafarma, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Em um processo da década de 1990, Oliveira chegou a ser condenado por receptação de medicamentos roubados e por envolvimento em uma falência fraudulenta que prejudicou fornecedores e funcionários, segundo a revista “Exame”. Nesses casos, cumpriu a pena em regime em liberdade.
Ao Valor, em uma entrevista realizada em 2016, Oliveira alegou que essas acusações eram “coisas passadas”.
“Foi armação. Era uma seringa que nos venderam e era roubada”. As investigações indicavam um conjunto de diversos produtos envolvidos na compra irregular.
Em 2007 foram instaurados ações por suposta sonegação fiscal envolvendo Oliveira e empresas do grupo Ultrafarma na 2ª Vara do Foro de Santa Isabel, no estado de São Paulo.
Segundo a “Isto É Dinheiro”, o processo foi movido pela Fazenda Pública Estadual e Oliveira chegou a prestar depoimentos e negar a prática de sonegação na época. Apesar das investigações, o processo não teve uma resolução divulgada publicamente até o momento.
Anos depois, em 2019, a Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio das contas do empresário. Segundo a ação da 2ª Vara Fiscal Federal de São Paulo contra Oliveira, as investigações identificaram suposta prática contínua de sonegação de impostos.
Segundo reportagem da rede de TV “Record”, auditores fiscais identificaram sete empresas ligadas a Oliveira com cerca de R$ 3 milhões de impostos federais em aberto apenas no Estado de São Paulo. Um desses processos era de 1998, relativo a uma das primeiras unidades abertas por ele, e fechada com uma pendência de R$ 35 mil em tributos.
Na época, Oliveira preferiu não comentar o assunto.
A estratégia, segundo a Justiça Federal, voltou a ocorrer em seis drogarias, que mantinham dívidas e depois fechavam as portas com o pagamento em aberto.
Fonte: Valor Econômico