Ainda que as pressões sobre os preços de combustíveis, bens industriais e custos logísticos sejam menores diante de um alívio mais intenso observado no petróleo, o Santander passou a projetar um espaço menor para novos cortes na taxa de juros. Em revisão de cenário publicada nesta sexta-feira, o banco elevou a projeção para a Selic no fim deste ano de 13,25% para 13,75%, enquanto a estimativa para o juro básico no fim de 2027 passou de 12,50% para 12,75%.
O aumento nas projeções para o rumo da Selic ocorreu mesmo com um alívio discreto nas estimativas de inflação, já que o Santander reduziu a estimativa para o IPCA deste ano de 5,2% para 5,0%. A previsão de IPCA em 4,0% em 2027, porém, foi mantida pelos economistas do banco, “uma vez que os riscos associados ao câmbio, ao mercado de trabalho e aos impactos do El Niño sobre os preços de alimentos permanecem relevantes”.
Na avaliação dos economistas do Santander, a recomposição do balanço de riscos ajuda a explicar a revisão para cima das projeções de juros, ao refletir condições financeiras externas mais restritivas, expectativas de inflação ainda elevadas e um impulso parafiscal persistente sobre a atividade.
Na avaliação do economista Marco Antonio Caruso, o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre “reforçou nossa percepção de que o Copom trabalha, a princípio, com uma trajetória de juros intermediária entre a implícita no Boletim Focus e uma pausa antecipada por período prolongado da Selic”. “Ao utilizar a curva do Focus no cenário de referência, o BC projeta inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028 e de 3,1% na segunda metade de 2028, sugerindo que uma trajetória menos expansionista do que a estimada pelos analistas seria suficiente, no modelo do BC, para assegurar a convergência da inflação à meta.”
Fonte: Valor Econômico

