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Em meio à crescente concorrência no segmento de canetas emagrecedoras, as farmacêuticas Sandoz e Biolab também entram na disputa por uma fatia do mercado da semaglutida (princípio ativo para medicamentos contra diabetes e para emagrecimento, como Ozempic), que movimentou R$ 5,6 bilhões em 2025.
Batizado de Owozy, o novo medicamento tem como base a semaglutida sintética, uma novidade no universo das canetas. O produto foi aprovado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para diabetes tipo 2, mas outras destinações podem vir a ocorrer. Seu diferencial é permitir que o produto seja mantido numa temperatura de até 30 graus após abertura, por 42 dias. Na maior parte das concorrentes, esse prazo é menor ou há necessidade de refrigeração constante.
Hoje, sua concorrente direta é a caneta Ozivy, da EMS, que também usa como princípio ativo a semaglutida sintética. A caneta da HyperaCotação de Hypera, que deve chegar ao mercado no fim de setembro, também é à base de semaglutida sintética e pode ficar ambiente entre 15 e 30 graus, após aberto, por até seis semanas.
Nos últimos 20 dias, a Anvisa aprovou sete pedidos de medicamentos que usam semaglutida sintética, similar e genérica. São eles: Owozy (da Sandoz), Semavy (HyperaCotação de Hypera), Seemasun (Sun Farmacêutica), Zempneo (Brainfarma), Orsema (Ranbaxy Farmacêutica) e Semaclique (Germed), além de um medicamento genérico da EMS, que não tem nome comercial, como determina a legislação.
Questionada sobre a concorrência, Isabella Wanderley, presidente da Sandoz Brasil, disse que “a entrada de mais medicamentos é importante para amadurecer o mercado de GLP-1 [classe de remédios que imita o hormônio para regular o apetite e o metabolismo] e vai ajudar a reduzir o uso indevido das canetas adquiridas no mercado paralelo”.
Para o presidente da Biolab & Co, Fabio Amorosino, o mercado deve aumentar de tamanho com a maior oferta de medicamentos de menor custo. Hoje, estima-se que há 16 milhões de brasileiros com diabetes tipo 2, mas metade desconhece que tem a doença.
Sandoz e Biolab não revelaram o valor que vão praticar nas farmácias. Na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o medicamento consta com preços máximos de R$ 700 a R$ 1,4 mil, conforme a praça e incidência da tributação.
“O que está na CMED são os valores máximos. Com certeza, vamos ter uma política agressiva de preço, além de um forte relacionamento com as farmácias e médicos”, disse Amorosino.
Para efeitos de comparação, a EMS comercializa sua caneta, também à base de semaglutida, por preços entre R$ 452 e R$ 333 (neste último caso, considerando-se programas de desconto). Já o Ozempic custa entre R$ 774 e R$ 1.380, a depender dos impostos ou abatimentos concedidos.
A entrada de concorrentes já provoca reações na Novo Nordisk e na Eurofarma, que têm uma parceria nas versões locais do Ozempic (Extensior) e do Wegovy (Poviztra). As duas têm adotado condições de preço especiais para aqueles que aderem ao programa de suporte dos laboratórios.
Até a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, anunciou descontos na compra de combos, movimento que surpreendeu analistas que esperavam a manutenção de preços, já que o laboratório usa molécula de efeito duplo e que está protegida por patente até 2036.
A previsão é que o Owozy chegue às farmácias no último trimestre do ano. A produção é feita no Canadá em parceria com o laboratório europeu Adalvo. A Sandoz optou por fechar uma parceria com a Biolab devido a sua presença no varejo, onde distribui para cerca de 95% das farmácias.
O Brasil é o primeiro país em que a suíça Sandoz lança um medicamento análogo de GLP-1 e a experiência aqui vai servir como laboratório para entrada em outros mercados, como América Latina e no Canadá. Nos Estados Unidos e na Europa, a patente da semaglutida cai a partir de 2030.
A operação de GLP-1 abre uma terceira frente de atuação para a Sandoz que, até então, era focada em genéricos e biossimilares.
A Biolab também tem como estratégia, no relacionamento com os médicos, promover a comercialização de um kit de medicamentos que, em geral, precisam ser prescritos aos usuários das canetas seja para tratamento do diabetes quanto para emagrecimento.
“Há um conjunto de outros produtos como Sarcoplex, para sarcopenia; Pantogar, porque cerca de 60% dos usuários têm queda de cabelo; e Vonau, para o estômago”, disse Amorosino. Ele afirma que a Biolab é líder em medicamentos para tratamento cardiometabólico.
Outro grande mercado que pode surgir é a rede pública de saúde. Há uma análise em andamento por parte do governo para ver a viabilidade da incorporação da semaglutida no SUS.
Segundo sua presidente, a Sandoz é uma das farmacêuticas que está conversando com o governo. “Estamos analisando, estudando o custo efetividade”, disse.
O Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto para acompanhar o uso de medicamentos da classe GLP-1 em pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. A iniciativa prevê avaliar cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras comorbidades e com indicação para cirurgia bariátrica. A expectativa é que os primeiros resultados, previstos para 2027, ajudem a definir como esse tratamento pode ser implementado.
Uma aprovação na rede pública de saúde é uma porta de entrada para cobertura por convênios médicos. Isso porque muitos tratamentos disponibilizados no SUS conseguem autorização automática para beneficiários de planos de saúde.
Fonte: Valor Econômico