A farmacêutica suíça Roche espera retomar o crescimento do faturamento no Brasil em 2026, após retração em 2025. Segundo a presidente da subsidiária brasileira do grupo, Lorice Scalise, o resultado do ano passado foi influenciado por mudanças de portfólio. O grupo tem desacelerado a presença em produtos já estabelecidos e focado em produtos inovadores, categoria que engloba medicamentos e posologias inovadoras, que responderam por 72% do faturamento da Roche em 2025.
“É um faturamento que, em teoria, não cresceu, mas com ganhos muito importantes e significativos com a consolidação da nossa estratégia de fortalecimento do portfólio de inovação. E quando se faz essa transição precisamos estar preparados, porque não necessariamente o volume ou o faturamento vai ser exatamente o mesmo, já que se tira esforço e energia de uma parte do seu portfólio para beneficiar outra”, diz Scalise. “Crescemos cerca de 22 pontos percentuais em termos da parcela do faturamento que vem do portfólio de inovação [desde 2023].”
Em 2025, o faturamento da subsidiária brasileira, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira, foi de R$ 4,5 bilhões, queda de 2% na comparação com 2024, ano em que o faturamento foi de R$ 4,6 bilhões, com alta de 10%. Considerando apenas o portfólio de inovação, o faturamento teve alta de 8% em 2025.
“Vemos [2026] como um ano em que vamos retomar uma tendência de crescimento, porque sempre existe isso, de ter um momento em que se faz o ‘shift’ (mudança) do portfólio e que depois se volta a crescer. Esse momento foi 2025 para nós, e olhamos 2026 com essa perspectiva de crescimento”, afirma. Segundo ela, a projeção para 2026 é de crescimento de cerca de 11% no faturamento do grupo no Brasil.
As áreas de oncologia, carro chefe do grupo, e de doenças neurodegenerativas, raras e oftalmológicas, também relevantes para a companhia, foram as que mais contribuíram com o faturamento do portfólio de inovação em 2025. E devem contribuir para a alta projetada no faturamento de 2026, com a aprovação de novas terapias subcutâneas, como para esclerose múltipla e câncer de pulmão.
Segundo a Roche Farma Brasil, o aumento da participação do portfólio de inovação no faturamento teve contribuição da ampliação da adoção de tecnologias da empresa pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como a aplicação subcutânea para hemofilia, que passou a contemplar crianças de até seis anos, e tecnologia da empresa para um tipo específico de câncer de mama.
“Quando disponibilizamos tecnologias como essa no SUS, fazemos isso de forma centralizada, oferecendo para todo o país”, afirma. De acordo com a presidente da subsidiária, cerca de 40% do faturamento com o portfólio de inovação no ano passado resultou de vendas para o setor público e 60%, para o privado.
“Em 2023, tínhamos quase 75% do faturamento [do portfólio de inovação] vindo do mercado privado. Ou seja, o portfólio era muito mais acessível a uma camada da população que é atendida pelo mercado privado. Em 2025, já temos 40% do faturamento vindo do mercado público e um cenário mais equilibrado. E o nosso objetivo para o futuro é 50% a 50%”, afirma Scalise.
Os investimentos em pesquisa clínica da Roche somaram R$ 590 milhões em 2025, contra os R$ 610 milhões de 2024. Para 2026 a expectativa é investimento da mesma ordem. “Do que a Roche fatura no Brasil, cerca de 12% ou 13% a companhia devolve para o país em pesquisa clínica. Então, acredito que vai estar mais ou menos nessa proporção também para este ano”, diz a presidente.
Já a Roche Diagnóstica fechou o ano com faturamento de R$ 1,5 bilhão no Brasil, alta de 9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pela divisão responsável por equipamentos e insumos para grandes laboratórios.
“A área que menos teve crescimento foi a de gestão de diabetes, mais conectada com o paciente que trata de diagnóstico de diabetes e do acompanhamento de diabetes”, afirma Carlos Martins, presidente da divisão no Brasil.
Segundo o executivo, a preferência por sensores de monitoramento contínuo de diabetes pode explicar a queda na demanda por tiras usadas para medir o nível de açúcar no sangue, produto da Roche.
A projeção para 2026 da divisão é de crescimento de mais de 30% no faturamento, totalizando R$ 2 bilhões. O sensor contínuo próprio de glicose, lançado pela Roche no segundo semestre do ano passado, é uma aposta para alcançar a meta. Além disso, parcerias com efeitos financeiros previstos para 2026, como a anunciada com a Dasa, para instalação de 400 novos equipamentos na rede de saúde, também devem ajudar no resultado esperado para o ano, segundo Martins.
A Roche ainda tem planos de implementar, já no primeiro semestre de 2026, seu teste de DNA de papilomavírus humano (HPV) no SUS, para prevenção e diagnóstico de câncer de útero. “[Ele] Já foi aprovado pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS)”, afirma. “Uma parte do crescimento [esperado] também está, obviamente, nesse segmento”, completa.
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Fonte: Valor Econômico