Contratos de locação de escritórios firmados na época da pandemia estão passando por revisão, o que tem estimulado um movimento de troca de edifícios, em busca de custo-benefício mais adequado para os ocupantes.
A vacância em São Paulo, que chegou a 23% nos prédios de alto padrão em 2021, já recuou para 13,9% ao fim de 2025, e a tendência é que essa queda continue ocorrendo, ainda que de forma lenta. Com isso, os preços pedidos para alugar escritórios nas regiões mais concorridas estão subindo.
Na Faria Lima, sinônimo de escritório de alto padrão em São Paulo, o preço médio pedido por metro quadrado, para locação, atingiu R$ 280,90 ao fim de 2025, aumento de 49,6% sobre o valor pedido em 2020 e de 81% sobre 2022, segundo a consultoria imobiliária Binswanger Brazil.
“A estratégia foi ocupar com valor atrativo anos atrás, já pensando na renovação”, afirma Melissa Spinelli, diretora de transações e negócios imobiliários da Binswanger. “Os preços estavam atrativos, então você conseguia estar na Faria Lima pagando valores que hoje não se consegue mais”.
No entanto, vieram as renovações de contrato e permanecer no mesmo local ficou inviável para muitos ocupantes. “Vemos muito isso, [as empresas falarem que], se não chegar em tal valor na renegociação, vão sair”, afirma.
Para quem precisa estar na região, a saída tem sido dividir sua operação e aproveitar o preço mais baixo de regiões que ainda possuem vacância elevada — ao contrário da Faria Lima, que fechou o ano passado com apenas 6,8% de espaços vagos.
A XP, por exemplo, alugou 17 mil metros quadrados na Chácara Santo Antônio e devolveu 4,5 mil metros quadrados na Faria Lima, embora não tenha deixado a região. A Verisure devolveu 1,6 mil metros quadrados no edifício São Luiz, na região da avenida Juscelino Kubitschek, outra área nobre, para locar outros 7 mil metros quadrados no Parque da Cidade, complexo que também fica na Chácara Santo Antônio.
Segundo Spinelli, com a volta ao trabalho presencial, as empresas precisam de mais área de escritório, mas esse crescimento não precisa ocorrer todo nas regiões mais caras. “Quem precisa estar nessas regiões, fica, e o restante vai para regiões com custo mais baixo e muitas vezes em prédios mais modernos e qualificados”, diz.
Polos como a Chácara Santo Antônio são áreas de expansão da oferta de escritórios na cidade, com prédios novos e de alto padrão, mas que ainda lutam para atrair ocupantes. A vacância na região ficou em 32% ao fim de 2025, com preço médio pedido de R$ 62 por metro quadrado.
Outro movimento captado pela Binswanger é de empresas que estão optando por prédios menores, divididos com menos ou nenhum inquilino, o que dá a possibilidade de dar a sua “cara” para o empreendimento. A Amazon vai deixar a região da avenida Juscelino Kubitschek por um prédio inteiro em Pinheiros, por exemplo. A Netflix trocou, no início deste ano, Alphaville por um prédio baixo na avenida Rebouças.
Como explica Paulo Izuka, head de projetos da Landsight, empresa de inteligência de mercado da Binswanger Brazil, esse tipo de troca, com destino a Pinheiros, Marginal Oeste e Jardins, é característica de empresas que ainda buscam regiões consideradas “prime”, mas a preços mais acessíveis do que no entorno da Faria Lima.
Já a Casas Bahia mudou, no ano passado, do edifício Eldorado Business Tower para um empreendimento na Marginal Pinheiros, ao lado da Berrini, onde também montou uma loja-conceito.
Esse tipo de movimentação está mais comum porque há mais opções de escritório no mercado, lembra Izuka, para apetites diferentes de preço, inclusive em áreas que não eram tradicionalmente corporativas, como a própria Rebouças e Pinheiros. “Está começando a ter muita oportunidade em outras regiões”, diz.
Isso não tira a atratividade da Faria Lima, porém, que continua como endereço quase obrigatório para negócios do setor financeiro, de tecnologia e advocacia. Mas Spinelli já vê um teto para o crescimento do valor pedido na região. “O valor já está muito alto, tem um limite, a empresa não pode pagar qualquer preço, tirando algumas exceções”, diz, embora não preveja reduções de valor.
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Fonte: Valor Econômico