Por Gabriel Caldeira — De São Paulo
05/05/2023 05h11 Atualizado há 4 horas
Preocupações em torno dos bancos regionais americanos, que teriam começado a explorar opções para evitar um colapso de suas operações, pressionaram negativamente os ativos de risco em Nova York e levaram o mercado a precificar um tom mais brando do Federal Reserve (Fed) nas próximas decisões, um dia depois do banco central americano ter sinalizado uma pausa do aperto monetário. O mercado ainda acompanhou o aumento dos juros na zona do euro, que foi seguido por uma comunicação dura do Banco Central Europeu (BCE).
Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,86%, a 33.127,740 pontos; o S&P 500 recuou 0,72%, a 4.061,22 pontos; e o Nasdaq cedeu 0,49%, a 11.966,40 pontos. Já no mercado de renda fixa americano, o retorno da T-note de dois anos terminou a sessão em baixa, ao passar de 3,838% para 3,805%.
Após as quebras do Silicon Valley Bank, Signature Bank, First Republic e Silvergate, o PacWest Bancorp e o Western Alliance tomaram a atenção dos mercados em meio a rumores de que ambos estudam meios de conter as crises desencadeadas pela corrida bancária iniciada em março.
As ações do PacWest despencaram e encerraram o dia em queda de 50,62%, enquanto as do Western Alliance recuaram 38,45%. Outro banco que terminou o dia muito pressionado foi o First Horizon, com baixa de 33,16%, após o canadense TD Bank desistir dos planos de uma fusão, em face da turbulência recente. O Zions Bancorp (-12,05%) e o Republic First Bancorp (-6,99%) também fecharam com quedas expressivas.
“O setor bancário dos EUA está em frangalhos à medida que os bancos regionais são esmagados, já que as expectativas de que veremos mais falências permanecem altas”, pondera o analista-sênior de mercados da Oanda, Edward Moya. Para ele, a sinalização de que o Fed manterá os juros acima de 5% até o fim do ano aumentam as preocupações com a fragilidade do setor bancário americano, em especial de instituições com depósitos sem seguro.
Diante dessa perspectiva, o mercado voltou a reprecificar sua expectativa para a política monetária do Fed. Agora, de acordo com cálculo do CME Group com base nos futuros dos Fed funds, é praticamente nula a chance de uma nova alta de 0,25 ponto percentual (p.p.) dos juros pelo Fed em junho, mês da próxima reunião do banco central americano.
O mercado ainda antecipou para julho a expectativa majoritária de início dos cortes de juros do Fed. Segundo a ferramenta, há 58% de probabilidade juros mais baixos até lá, contra 42% de chance de manutenção do nivel atual. Já para dezembro, a precificação atual indica mais de 90% de chance de que a taxa dos Fed funds esteja entre 4% e 4,5%.
Na zona do euro, o foco se voltou para a decisão de política monetária do BCE, que elevou as taxas de juros em 0,25 ponto percentual, assim como o Fed. No entanto, ao contrário do autoridade monetária dos EUA, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afastou a possibilidade de pausar o ciclo de aperto monetário na próxima reunião.
“Ainda temos um caminho a percorrer. O BCE claramente não está pausando [a alta de juros]”, afirmou Lagarde. A dirigente ainda reiterou as preocupações do BCE com a inflação acima da meta e com o impacto do aumento salarial sobre os preços.
A economista Stephanie Kennedy, do Julius Baer, dá razão ao argumento de Lagarde devido a uma inflação persistentemente alta, apesar da boa transmissão do aperto monetário às condições financeiras. “Esperamos outra alta de 0,25 ponto na próxima reunião e uma postura dependente de dados depois”, projeta. Com isso, as bolsas europeias terminaram pressionadas e o índice Stoxx 600 fechou em queda de 0,47%, a 460,34 pontos.
Fonte: Valor Econômico


