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Com saldo estrangeiro negativo em cerca de R$ 40 bilhões no ano, a bolsa brasileira chegou a um ponto em que vai oscilar numa faixa entre 120 mil e 130 mil pontos até acontecer o gatilho necessário para atrair investidores. A previsão é de Rogério Poppe, CEO da ARX Investimentos, que acredita que o momento de saídas expressivas de investidores externos já passou. “Quem tinha que tirar dinheiro tirou e a queda hoje está mais limitada do que há um ano e meio. A tendência é ter fluxo mais zerado, sem muito impacto sobre preço.”
Para ele, o próximo movimento relevante no mercado acionário será o retorno desses recursos. No entanto, afirma, não há como saber se a recuperação acontece ainda neste ano ou se vai ficar para 2025. Isso porque Poppe vê como gatilhos a Selic abaixo de 10%, a percepção de menor risco fiscal e a melhora do cenário externo. Diante da piora do cenário nas últimas semanas, os analistas passaram a prever a taxa básica no patamar atual de 10,5% no fim do ano, ou seja, a interrupção nos cortes da Selic, iniciada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), continuaria ao menos até o fim do ano. “Precisamos de um quadro institucional menos incerto para começar a ver a volta dos investidores.”
Poppe tem uma visão menos negativa das contas do governo. “A posição do Brasil não é tão crítica se comparada a outros países com déficit fiscal porque o país se beneficiou da alta nos preços das commodities no pós-pandemia”.
Segundo o CEO da ARX, os agentes econômicos “colocaram muito peso no fiscal”, mas o esforço para aumentar arrecadação no curto prazo trouxe insegurança às empresas. “O presidente Lula entendeu isso e está tentando arbitrar entre as demandas do ministro Fernando Haddad, que precisa entregar um déficit menor, e as reclamações de empresários por um ambiente mais estável para investir.”
Ele diz que a discussão sobre crescimento econômico acabou muito pautada pela necessidade de reduzir os juros rapidamente e, para isso acontecer, diminuir o déficit fiscal. “Mas importa muito menos para as empresas que o juro caia para 9% do que sinalizar que nos próximos cinco a dez anos vai ter menos déficit fiscal.” Poppe vê chance de a queda de braço entre mercado e governo ter chegado ao auge com a recente discussão em torno da MP do PIS-Cofins e “agora talvez todo mundo recue, sente e converse.”
O grande ponto, portanto, para a recuperação da bolsa vir mais rapidamente ou só em 2025, afirma, é agora o governo conseguir sinalizar um arcabouço fiscal mais crível a longo prazo, que fale de gastos e receita ao mesmo tempo. Além disso, ressalta o executivo, há o agravante da força da economia americana, liderada pelo movimento da Inteligência Artificial, que têm atraído muitos recursos. “É algo que drena recursos de emergentes como um todo, não só Brasil, e ajuda a justificar nossa bolsa num patamar tão baixo.”
De acordo com Poppe, o Brasil poderia ter aproveitado mais o momento positivo global pós-pandemia, com a adoção de políticas expansionistas, mas teve que levantar muito rapidamente os estímulos por causa do avanço da inflação. “Os governos foram tirando os incentivos de forma lenta. Se olhar os últimos dois anos ainda há política fiscal expansionista nos governos.” Além disso, não se beneficiou da reorganização das cadeias de produção, com o “nearshoring e o “friendshoring”.
A ARX prevê recuperação da economia brasileira, mas vem aumentando a parcela de ações mais expostas a ciclos domésticos lentamente por conta das incertezas. No momento, a carteira está mais defensiva do que sua média histórica. “A migração já começou, mas muito gradualmente porque não esperamos recuperação no curto prazo”, explica.
Poppe – que também é o gestor responsável pela estratégia de renda variável da asset, controlada pelo grupo global BNY Mellon – afirma que o patamar de preço atual dos papéis justifica essas compras. Segundo relatório especial da gestora feito para os 25 anos do fundo ARX Income, as ações na B3 estão baratas: a relação preço/lucro está atualmente em 7,8 vezes, o que representa um desconto de 27% em relação à média de 10,8 do período de 2006 até agora.
Também em relação aos emergentes, os preços dos papéis está baixo, com desconto de 36% atualmente, bem superior à média de 7,3% no mesmo período. “Estamos acumulando ações com preço interessante. Temos tendência de olhar o longo prazo, dois, três anos, período em que podemos ter ganhos relevantes.”
Fonte: Valor Econômico


