A Polícia Federal indiciou os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-senador Romero Jucá (MDB-PE) por suspeita de favorecimento a um grupo empresarial do ramo farmacêutico no Congresso Nacional. Os parlamentares são investigados pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A história foi revelada pelo UOL confirmada pelo Valor.
O relatório da PF foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o relator, Edson Fachin, enviou os autos para a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisará se existem elementos para a apresentação da denúncia. O documento está anexado em um inquérito no STF aberto em 2018 no âmbito da Operação Lava-Jato a partir da delação premiada de Nelson Mello, um dos diretores do grupo empresarial Hypermarcas, atual HyperaCotação de Hypera Pharma.
O relatório da Polícia Federal indica que a Hypermarcas, por meio de um lobista, pagou aos senadores para obter vantagens como benefícios fiscais e indicações de nomes na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O advogado do senador Eduardo Braga (MDB), Fabiano Silveira, informou que o relatório da Polícia Federal traz “ilações esdrúxulas sem amparo nos elementos constantes do próprio inquérito” e que deverá ser arquivado. Para ele, trata-se de mais um episódio de vazamento ilegal. “Há evidências claríssimas de que o parlamentar não manteve contato com o delator, que, além de mudar sua versão quatro anos depois, baseia suas declarações em mero ‘ouvir dizer’”.
A defesa de Jucá afirmou que o indiciamento é uma “tentativa de criminalizar a política” e que é da natureza da função parlamentar “a conexão com setores da sociedade, com empresários e grupos econômicos”. Em nota, a defesa acrescenta ainda que “repudia e repele o indiciamento recente no inquérito instaurado com base única e exclusivamente na delação premiada do executivo do grupo HypermarcasCotação de grupo Hypermarcas”. De acordo com os advogados, o ex-senador colaborou de forma efetiva com a investigação, prestando os esclarecimentos devidos e colocando-se à disposição. Jucá é representado pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda Almeida.
O Valor entrou em contato com Renan Calheiros e não recebeu retorno. O espaço permanece aberto.
Já a HyperaCotação de Hypera Pharma reforça que finalizou em 2020 apurações internas sobre irregularidades ocorridas entre 2013 e 2015. O assunto foi concluído mediante a celebração de acordo de leniência em 2022.
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