A Petrobras e a Elea Data Centers firmaram um contrato de R$ 2,3 bilhões, com prazo de 17 anos, para fornecer um “data center” que hospedará supercomputadores da petroleira. A Elea venceu licitação para prover o serviço de infraestrutura de tecnologia da informação (TI) à estatal, que pretende processar dados científicos das áreas de exploração, pesquisa e reservatório. O “data center” também deixa a Petrobras apta a utilizar ferramentas de inteligência artificial.
O “data center” é de alta capacidade, com carga da ordem de 30 megavolt-amperes (MVA), e a energia será proveniente de fontes renováveis. O projeto representa a maior iniciativa de infraestrutura de TI de uma empresa latino-americana. “Ninguém fez algo parecido, neste ponto, na América Latina”, disse Alessandro Lombardi, fundador e presidente da Elea Data Centers. Procurada, a Petrobras não comentou o tema.
Segundo o executivo, o “data center” corresponde a um aumento de 15% em relação à capacidade instalada total das centrais em operação no país. O executivo ressalta que a Petrobras será a primeira empresa beneficiada pela recém-editada Medida Provisória (MP) do Redata.
A MP do Redata foi editada pelo governo para estimular a instalação de “data centers” no país. O objetivo é impulsionar um segmento que pode movimentar R$ 2 trilhões em investimentos nos próximos anos. Com isso, a Petrobrasserá a primeira empresa de grande porte a se beneficiar do Redata, antes mesmo de “big techs” que estudariam projetos no Brasil.
“Isso vai significar investimentos ainda maiores em equipamentos de TI, computação. A Petrobras está se posicionando certamente”, disse Lombardi.
A infraestrutura do “data center” já está praticamente pronta, exigindo algumas adaptações. A previsão é que entre em operação no primeiro semestre de 2026. Localizada em São Bernardo do Campo (SP), a central contará com uma tecnologia de refrigeração conhecida como “resfriamento líquido” (“liquid cooling”).
A tecnologia é considerada como mais eficiente para dissipar o calor gerado pelo processamento, com baixo consumo de energia. A Petrobras será a primeira a utilizar o resfriamento líquido em um “data center” no Brasil, afirmou Lombardi. A infraestrutura conta ainda com sistemas redundantes de resfriamento, conectividade e fornecimento de energia, com uso de geradores – algo obrigatório em sistemas de operação contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Um dos pontos tidos como críticos para a chegada de novos “data centers” no país, a conexão a sistemas de transmissão não será um problema para a Elea, já que a central está localizada em uma região com ampla infraestrutura de rede. Porém, o executivo considera que o Sudeste, em especial São Paulo, demandará aumento da capacidade para atender à crescente demanda por energia dos “data centers”.
O projeto da Elea com a Petrobras se dá ao mesmo tempo que a empresa de TI conduz a implantação do Rio AI City, hub de “data centers” que está em implantação no Rio, com capacidade equivalente a um consumo de até 3,2 gigawatts (GW). “Penso que estamos colocando a tecnologia brasileira no topo, o Brasil vai ter um outro nível global”, diz Lombardi.
Fonte: Valor Econômico
