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A saúde vem sendo considerada pelos endinheirados como uma nova e importante forma de riqueza, segundo o Relatório Global de Riqueza e Estilo de Vida, produzido pelo banco suíço Julius Baer. Além de elevar suas intenções de investimento em saúde, o relatório também mostrou que os indivíduos de alto patrimônio líquido -“high-net-worth individuals”, ou HNWIs – também estão gastando mais com recreação, viagens, hotéis de luxo e alta gastronomia.
O relatório leva em conta uma cesta de produtos e serviços representativos do consumo de pessoas consideradas muito ricas em 25 cidades ao redor do mundo para ter uma visão de estilo de vida, hábitos, intenções e sentimentos. Feita entre novembro de 2023 e abril de 2024, a pesquisa analisa o comportamento dos últimos 12 meses e as intenções para os próximos 12 meses. O trabalho é dividido em cinco regiões: Europa, Oriente Médio e África (Emea), Ásia-Pacífico (Apac), América do Norte e América Latina. Também examina mudanças nos padrões de consumo e suas motivações.
No relatório deste ano, os gastos com saúde figuraram entre as cinco principais intenções de investimento em todas as regiões do mundo para os próximos 12 meses. No ano passado, os afluentes da região da Ásia e Pacífico elevaram muito os gastos com saúde, com 63% dos pesquisados afirmando que ampliaram essas despesas, ante 37% na Europa e América do Norte.
Na região da Ásia-Pacífico, os gastos dos ricos ocuparam o primeiro ou o segundo lugar em termos de crescimento em cada subcategoria de saúde analisada. A expectativa é que continuem crescendo na região, onde despesas com saúde e bem passaram a ser considerados um “novo luxo”.
Já na América Latina, nos últimos 12 meses, os maiores gastos dos endinheirados foram com viagens (45%), roupas masculinas de luxo (43%), e smartphones, hotéis e alta gastronomia empatados com 42%. “Não é surpreendente que os preços dos hotéis tenham caído quase 11% na Ásia-Pacífico, enquanto subiram 34% nas Américas”, disse Christian Gattiker-Ericsson, chefe de pesquisa do Julius Baer.
Também não surpreende que, apesar do crescimento do interesse por saúde, o principal objetivo financeiro dos respondentes continue sendo a criação de riqueza. Dos entrevistados, 70% disseram ter elevado seus ativos e investimentos nos últimos 12 meses em relação ao ano anterior. Por região, o maior crescimento foi da América do Norte, com 81%, seguido pela América Latina, com 77%.
Segundo o relatório, os ricos da Ásia-Pacífico, Oriente Médio e América Latina aumentaram o nível de risco de seus investimentos, enquanto o conservadorismo e a fragilidade prevalecem na Europa e na América do Norte.
Relevante notar que o crescimento do turismo de lazer superou as viagens de negócios, resultado em parte do fim da pandemia de covid-19. O chefe de investimentos do Oriente Médio do Julius Baer, Fahd Abdullah, destaca que só Dubai elevou em 11% o turismo nos últimos 12 meses, com os visitantes devendo superar 20 milhões de pessoas até o fim do ano. Na América do Norte, 45% aumentaram suas viagens de lazer, enquanto apenas 13% elevaram as viagens de negócios. Esses números ficaram respectivamente em 50% e 32% na América Latina.
O relatório também traz um ranking das cidades mais caras do mundo. Pela primeira vez a região de Oriente Médio e África superou a Ásia-Pacífico como a mais cara. Porém, Cingapura e Hong Kong seguem na liderança.
Embora os custos, muitas vezes, tenham mudado pouco na moeda local, a conversão para dólar fez a diferença. Os preços do índice são convertidos para a moeda americana para permitir a comparação global, e a força de divisas como o franco suíço e, inversamente, o fraco desempenho de moedas como o iene japonês são claramente vistos no desempenho dessas cidades.
Para Gattiker-Ericsson, a oscilação do câmbio é importante para determinar o custo de vida de um lugar. “Veja Tóquio, por exemplo; era o modelo de cidade extremamente cara nos anos 1990 e a desvalorização constante e gradual do iene mostrou como isso pode mudar”, disse. No ranking deste ano, Tóquio ocupa a 23ª posição, à frente apenas de Vancouver e Johannesburgo.
Apesar de as Américas serem o lugar mais barato para se viver bem, Nova York e São Paulo se mantiveram entre as dez cidades mais caras do mundo. Nova York caiu da 5ª posição para a 7ª, enquanto São Paulo ficou inalterada em 9º posto, superando Dubai, que foi de 7º para o 12º lugar. Mesmo na 9ª posição, a capital paulista tem o maior número de itens mais caros, entre joias, tecnologia, relógios, uísque, roupas masculinas, bicicletas e esteiras. Mesmo assim, a cidade tem atraído o dobro de endinheirados que o Rio de Janeiro. Estes preferem residências luxuosas nos bairros dos Jardins e Itaim, região que o relatório se refere como a “Manhattan paulistana”.
Fonte: Valor Econômico


