A Novo Nordisk considera o Brasil como um dos mercados prioritários para o lançamento da versão em comprimido da caneta emagrecedora, o Wegovy. A patente sobre o princípio ativo do medicamento, a semaglutida, expira nesta sexta-feira (20), momento aguardado e que aquece o mercado da classe de remédios, com laboratórios nacionais interessados na produção de similares.
A versão em comprimido, comercializada hoje apenas nos Estados Unidos, dá vantagem inicial à farmacêutica, já que até agora é a única a contar com o remédio nesse formato, e pode ajudá-la a recuperar mercado, frente ao aumento da concorrência no segmento.
“O Brasil é tão importante que foi um dos primeiros países do mundo em que submetemos para aprovação regulatória, depois de Estados Unidos e da Europa, nossos principais mercados”, disse, ao Valor, Marília Izar Helfenstein Fonseca, diretora médica da Novo Nordisk, que participou, nesta sexta-feira (20), da segunda edição da “Jornada Valor de Jornalismo em Saúde”.
O comprimido recebeu aprovação das autoridades regulatórias americanas em dezembro, foi lançado em janeiro deste ano e, no fim do mês passado, já contava com mais de 300 mil prescrições nos EUA, segundo dados da consultoria IQVIA. No Brasil, o pedido depositado na Anvisa ainda não tem previsão de aprovação divulgado pela Novo Nordisk.
Atualmente, a farmacêutica é a única que tem registro para a fabricação da versão oral da semaglutida. A patente desse processo está protegida até 2031, segundo a farmacêutica. “O que está expirando hoje é a patente do composto da semaglutida”, disse Ana Amélia Araripe Montenegro, gerente sênior de propriedade intelectual na farmacêutica.
O fim da patente do princípio das canetas da Novo Nordisk, que incluem também o Ozempic, indicado originalmente para o tratamento de diabetes, acontece após idas e vindas da empresa na Justiça, que tentavam estender a proteção do registro.
Segundo a farmacêutica, futuros concorrentes no país não se tratarão de genéricos, mas cópias sintéticas similares ao seu produto de referência, já que no Brasil não se registra genéricos a partir de biológicos, caso das canetas emagrecedoras da Novo Nordisk. “Uma vez aprovadas pela Anvisa, serão uma síntese química não idêntica”, disse Fonseca.
Pioneira global dos medicamentos contra obesidade, a europeia Novo Nordisk tem enfrentado concorrência da americana Eli Lilly, fabricante da caneta emagrecedora Mounjaro, lançada no Brasil no ano passado, que também desenvolve medicamento oral para perda de peso, com outro princípio ativo e expectativa de aprovação pelas autoridades reguladoras americanas ainda neste semestre.
Com a queda da patente, a dinamarquesa também deve receber competidores nacionais no segmento e, por isso, avança em frentes para proteger sua fatia de mercado. Neste mês, lançou um projeto piloto para levar seu tratamento contra obesidade ao Sistema Único de Saúde (SUS) e aderiu à política de preços diferenciados. Também tem, desde o ano passado, parceria com a Eurofarma para a distribuição de versões locais dos medicamentos para perda de peso e obesidade, em regiões antes não atendidas e, segundo a farmacêutica, por preços mais competitivos.
“Essas [canetas em parceria com a Eurofarma] não são cópias sintéticas. É a mesma, idêntica à semaglutida biológica”, disse a diretora médica.
Segundo a Anvisa, o país tem hoje 17 solicitações para registro de medicamentos com semaglutida: 15 sintéticos similares; um biológico, que combina insulina icodeca e semaglutida; e outro biológico apenas com semaglutida. Entre farmacêuticas que já informaram interesse em entrar no segmento no país, estão HyperaCotação de Hypera, BiommCotação de Biomm, EMS e Cimed.
Fonte: Valor Econômico