Com o prazo final do ultimato do presidente Donald Trump se aproximando, os Estados Unidos e o Irã receberam a estrutura de um plano para encerrar seu conflito de cinco semanas, embora Teerã tenha rejeitado qualquer movimento imediato para reabrir o Estreito de Ormuz e os dois lados continuaram lançando ataques.
O site Axios informou no domingo que EUA, Irã e mediadores regionais estavam discutindo um possível cessar-fogo de 45 dias como parte de um acordo em duas fases que poderia levar ao fim permanente da guerra, citando fontes dos EUA, de Israel e da região.
O presidente Donald Trump ameaçou “fazer chover o inferno” sobre Teerã caso não fosse firmado um acordo até o final da terça-feira (7) que permitisse a retomada do tráfego pela rota vital para o fornecimento global de energia.
O plano, mediado pelo Paquistão, surgiu de intensos contatos durante a madrugada e propõe um cessar-fogo imediato, seguido de negociações para um acordo mais amplo a ser concluído em 15 a 20 dias, segundo uma fonte informada sobre as propostas na segunda-feira.
O chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato “durante toda a noite” com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse a fonte.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou na segunda-feira que Teerã formulou posições e demandas com base em seus interesses e as comunicou por meio de intermediários, em resposta às propostas de cessar-fogo.
O porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei, disse que os detalhes da resposta serão anunciados no momento oportuno, mas acrescentou que negociações são “incompatíveis com ultimatos e ameaças de cometer crimes de guerra”.
“O Irã não hesita em expressar claramente o que considera suas demandas legítimas, e isso não deve ser interpretado como um sinal de concessão, mas sim como um reflexo de sua confiança em defender suas posições”, afirmou Baghaei a jornalistas. Ele disse que exigências anteriores dos EUA, como um plano de 15 pontos, foram rejeitadas por serem excessivas.
Mais cedo na segunda-feira (6), um alto funcionário iraniano disse à Reuters que o Irã não reabrirá o Estreito como parte de um cessar-fogo temporário, nem aceitará prazos ou pressão para fechar um acordo. Segundo ele, Washington não estava pronto para um cessar-fogo permanente.
Novos ataques aéreos foram relatados na região na segunda-feira, mais de cinco semanas após o início dos bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã, em uma guerra que já matou milhares e prejudicou economias ao elevar os preços do petróleo.
Um ataque conjunto dos EUA e de Israel atingiu o centro de dados da Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, danificando a infraestrutura que sustenta a plataforma nacional de inteligência artificial do país e milhares de outros serviços, informou a agência Fars no domingo. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou na segunda-feira que pretende destruir a infraestrutura do Irã e caçar seus líderes “um por um”.
Fonte: Valor Econômico