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Cresce no mercado de saúde suplementar o número de operadoras que oferecem Atenção Primária à Saúde (APS), tanto como cuidado dos beneficiários como para reduzir impactos financeiros gerados pelo envelhecimento de suas carteiras. Nos últimos 12 anos, a população com mais de 60 anos cresceu 57,4% no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda que o envelhecimento dos conveniados esteja dentro do previsto, o crescimento tem levado muitas operadoras a priorizar ações que fomentem os cuidados preventivos.
“Quando falamos em envelhecimento da população não deveríamos, em tese, responsabilizar esse evento por qualquer efeito financeiro negativo no setor, porque ele foi desenhado para atender o beneficiário também nesse momento”, diz Gustavo Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). “Mas na saúde suplementar o número [de idosos] tem um peso maior porque, para sustentar uma carteira de participantes mais longevos, é preciso fazer algo que o Brasil não tem tanta familiaridade: a prevenção”.
A APS é um conjunto de ações focadas em prevenção, tratamento e reabilitação de forma individualizada, com atendimento por uma equipe multidisciplinar de profissionais, de forma similar ao do médico de família.
Com quatro anos no mercado de saúde suplementar, a Leve Saúde, do Rio de Janeiro, prioriza o público acima de 45 anos, que corresponde a 60% de seus 70 mil beneficiários. De acordo com o COO Sandro Silva, a operadora investe na prevenção sob três pilares: APS, medicina preventiva e linhas de cuidados especiais, voltados a pacientes recém-saídos de internações. Na APS são 23 médicos especializados em atendimento. Essa medida tem mantido a sinistralidade em 58%, contra 86% da média do mercado, segundo o executivo.
O empenho das empresas, no entanto, não terá valor se o beneficiário não se comprometer a seguir esse modelo de atendimento preventivo. “O engajamento do paciente é um dos maiores desafios nos programas de cuidados preventivos e nossas taxas de engajamento oscilam de 30% a 60%”, conta Conrado Cavalcanti, diretor executivo da Amil, cuja carteira de clientes tem 8,36% de idosos com mais de 65 anos.
Cavalcanti acrescenta que o impacto do envelhecimento exige que o mercado concentre esforços na promoção da saúde do idoso. O número de conveniados a planos de saúde com 70 anos ou mais cresceu 22% nos últimos cinco anos, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Entre aqueles com 90 anos ou mais, a alta foi de 27%.
Para o presidente da Abramge, o setor precisa de uma política nacional para tratar o tema longevidade, de modo a fazer com que haja a aderência dos beneficiários para esse novo modelo de cuidado com a saúde. A ANS tem um programa de certificação de boas práticas de atenção à saúde com certificação em APS, que hoje contempla cinco operadoras, diz Mauricio Nunes, diretor do órgão. “Essa certificação tem um olhar diferenciado para as carteiras de operadoras que têm idosos”, diz Nunes. O objetivo, segundo ele, não é impor medidas de cuidados, mas incentivar as operadoras a aderirem à APS.
Com 54 mil participantes com idade superior a 65 anos, dos 878 mil em sua carteira, a Seguros Unimed reduziu em 15 pontos percentuais a sinistralidade entre idosos – que representam 6% da carteira – após implementar, há oito anos, programas de prevenção, segundo Helton Freitas, presidente da operadora. A Unimed não informou a sinistralidade nessa faixa etária.
A Bradesco Saúde mantém uma rede com 32 clínicas, a Meu Doutor Novamed, que atuam no cuidado integral do paciente com atendimento coordenado por um médico de família e consultas em 15 especialidades. Na SulAmérica, 10% da carteira é composta por pessoas com mais de 60 anos. “São 284 mil vidas incluídas nas análises da empresa para identificar padrões de doenças, comportamento de saúde, estilo de vida e uso do plano para detectar riscos e condições graves a que o segurado está exposto”, diz Raquel Imbassahy, diretora de gestão de saúde da operadora.
“Com o aumento da longevidade e a baixa taxa de rotatividade nesses planos, as operadoras terão de investir cada vez mais na atenção primária para manter sua sustentabilidade”, completa Cleudes Freitas, presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas). Nessas companhias, 30% dos clientes são idosos.
Fonte: Valor Econômico