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A OncoclínicasCotação de Oncoclínicas deve entrar com pedido de cautelar na Justiça para proteção contra credores tendo em vista que deve estourar os acordos de alavancagem firmados com os debenturistas para o balanço de 2025, segundo o Valor apurou.
Nesta terça-feira (7), a companhia informou a renúncia do conselho de administração após forte pressão de acionistas e de potenciais interessados na rede de saúde, que condicionaram a alocação de novos aportes à saída dos atuais membros do “board.”
Ainda de acordo com fontes, o pedido judicial deve ser feito no começo da próxima semana, mas com chances de ser até na sexta-feira (10), logo após a divulgação dos resultados que está programada para quinta-feira (9). A teleconferência para analistas e investidores ocorre no dia seguinte. Pelos “covenants” (cláusulas financeiras) acordados com os credores, a dívida da companhia não pode ultrapassar o equivalente a 3,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2025.
Ontem, a Fitch rebaixou o rating de duas emissões de debêntures (9ª e 12ª) de C (bra) para RD (bra), cujos pagamentos dos juros foram adiados, o que configura para a agência de classificação um ato de inadimplência.
Nos cálculos da Fitch, a alavancagem bruta e líquida da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas eram de 8,2 vezes e 7,8 vezes, respectivamente, no período de 12 meses encerrado em setembro de 2025. Essas métricas são diferentes das adotadas pela companhia para cálculo de ‘covenants’. A Fitch destacou que “a liquidez da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas é insuficiente para honrar o serviço da dívida, e sua alavancagem é insustentável nos patamares atuais, o que restringe as alternativas de refinanciamento.”
Com a quebra dos covenants, os agentes fiduciários das debêntures podem pedir a antecipação dos vencimentos (desde que seja realizada uma assembleia para decidir pela medida), o que complicaria ainda mais a situação financeira. A companhia tem uma dívida de cerca de R$ 1,8 bilhão em debêntures.
No mês passado, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas entrou em negociação pedindo que os credores abram mão do acordo da alavancagem. No entanto, não houve quórum nas assembleias referentes às emissões de debêntures lastreadas em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) porque a distribuição desses papéis é muito pulverizada.
Caso a cautelar seja deferida, a rede de tratamento oncológico conseguiria um prazo de pelo menos 60 dias para buscar uma solução mais efetiva.
Ainda segundo fontes, os passos seguintes não foram definidos. Há na mesa uma oferta de uma linha de crédito de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões da Mak Capital , acionista com 6,3%, para as demandas de curto prazo, em especial para a compra de medicamentos, cuja limitação está provocando atrasos de atendimento. A Starboard fez uma proposta de reestruturação no valor de R$ 1 bilhão, sendo parte em dinheiro novo e o restante em conversão de dívida para reduzir a alavancagem. É um desenho parecido com a oferta de setembro do ano passado, que foi rejeitada pelo conselho.
A Porto também está propondo agilizar os pagamentos dos tratamentos de seus clientes a fim de melhorar o fluxo de caixa da rede de clínicas oncológicas.
Uma recuperação extrajudicial seria um caminho, mas não trivial porque é preciso ter a presença dos detentores dos CRIs, que não compareceram nas assembleias para discutir o perdão dos “covenants”. Outro caminho é a recuperação judicial, mas o tempo de execução é longo, principalmente, diante da atual situação da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas que precisa solucionar o problema de atrasos de atendimentos.
Cerca de 3 mil pacientes já tiveram seus tratamentos adiados em cerca de uma semana e os casos mais graves estão sendo transferidos para três hospitais parceiros, mas não há estrutura suficiente para atender tantos casos.
O atraso a tratamentos de pacientes oncológicos e as reclamações da transparência com o mercado pesaram para a renúncia do conselho. Segundo o Valor apurou, os conselheiros independentes da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal, alertaram que o conselho poderia ser responsabilizado criminalmente. Marcelo Gasparino, até então presidente do “board”, renunciou, levando à saída de todo o grupo – dos sete membros, cinco eram indicados da Latache, segunda maior acionista com quase 15% da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, e pelos demais acionistas.
A próxima assembleia está marcada para 30 de abril, mas a companhia deve realizar uma reunião extraordinária antes dessa data.
A Mak já tem três nomes para o conselho: Mateus Bandeira (ex-CEO da Oi), Fabio Jung (ex- BofA), o advogado Ademar Vidal Neto e Marcos Grodetzky, que já integrava o “board” da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas como conselheiro independente.
A companhia informou também que há uma outra chapa. Os indicados são Bruno Ferrari (ex-CEO da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas e acionista), Carlos Gil Ferreira (atual CEO da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas), Eduardo Soares do Couto Filho (vice-presidente jurídico da Cedro), Marcel Cecchi (atual diretor financeiro e sócio da Latache) e como conselheiros independentes Marcelo Curti, Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos. Com exceção de Gasparino, os nomes permanecem os mesmos do conselho que renunciou ontem.
Com 144 unidades espalhadas no Brasil, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas é a maior rede de tratamento de câncer do país, mas há anos enfrenta problemas de gestão e projetos considerados grandes demais. A companhia fez uma série de aquisições, entre elas de hospitais, e construção de “cancer centers”, em valores elevados.
Os conflitos de governança se avolumaram com a entrada do Banco Master, que injetou R$ 1 bilhão e emprestou outros R$ 500 milhões para Bruno Ferrari, ex-CEO da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, participar de um aumento de capital. O Master passou a deter 20% da empresa, mas o valor de R$ 1,5 bilhão foi todo aplicado em CDBs do próprio Master. A empresa perdeu cerca de R$ 400 milhões com a liquidação extrajudicial do banco, em novembro.
Procurada, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas afirmou que não irá se pronunciar. Os conselheiros Gasparino, Grodetzky e Rosenthal não retornaram.
Fonte: Valor Econômico