/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2025/D/X/67vPiJTOC3Jy9G0Y0okw/foto27emp-201-onrom-b6.jpg)
A fabricante de dispositivos médicos Omron planeja dobrar a participação do Brasil em seu faturamento nos próximos cinco anos, para cerca de 5%, com a expansão do acompanhamento domiciliar de doenças crônicas pelos próprios pacientes. “O Brasil representa 3% da receita internacional da Omron. Nosso mercado aqui ainda é pequeno, se comparado com o potencial”, afirmou a CEO global da companhia, Ayumu Okada.
A multinacional japonesa é líder global de vendas em medidores de pressão arterial, com mais de 60% do mercado avaliado em US$ 4,1 bilhões. A expectativa é de que, até 2030, essa cifra chegue a US$ 5 bilhões.
Uma das razões para isso são as novas diretrizes globais, adotadas pelas sociedades brasileiras de Cardiologia, de Nefrologia e de Hipertensão, que classificaram como patamar de alerta a pressão “12/8” considerada normal até o ano passado. Com isso, 30 milhões de brasileiros devem ser agora enquadrados como pré-hipertensos. Aproximadamente 30% dos adultos brasileiros, ou 55 milhões de pessoas, já têm pressão alta.
A Omron também espera ampliar as vendas de balanças domésticas de bioimpedância, que detalham a composição corporal dos usuários, à medida em que as canetas emagrecedoras ficam mais populares no país. No último ano, as vendas do equipamento no Brasil cresceram 154% em relação a 2023.
A diretora-geral da Omron Brasil, Fernanda Villa-Lobos, explica que o paciente não deve adquirir um dispositivo junto aos medicamentos de uso contínuo – o que poderia configurar até venda casada, prática vetada no Brasil pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
A estratégia da companhia é se aproximar do consumidor final a partir de campanhas conjuntas com a indústria farmacêutica, como no caso da ação Blitz da Saúde, da dinamarquesa Novo Nordisk. A Omron Healthcare e a fabricante de Ozempic e Wegovy estiveram no Parque Villa-Lobos, em São Paulo (SP), realizando exames de pressão arterial, eletrocardiograma e a própria bioimpedância, dentre outros. A Omron também marcou presença junto às equipes de primeiros-socorros em corridas promovidas pela varejista de vestuário esportivo Track&Field.
No estudo “Efeito Semaglutida”, realizado em parceria com a WGSN e divulgado em setembro, a Novo Nordisk destacou que o princípio ativo de seus injetáveis mais famosos impacta diretamente segmentos de suporte à saúde como dispositivos médicos. “O crescimento do uso de semaglutida está impulsionando a demanda por dispositivos que monitoram saúde, bem-estar e efeitos colaterais, além de abrir espaço para ‘gadgets’ que apoiam a jornada de perda de peso e manutenção de resultados”, afirma a farmacêutica.
Outro canal para que o consumidor conheça o portfólio da empresa japonesa são os chamados hubs de saúde das drogarias, com serviços como telemedicina e medição de parâmetros básicos de saúde – como a pressão arterial. A companhia afirma que já atende 1,2 mil hubs em todo o país, de redes como Droga Raia, Drogasil, Panvel, Drogarias São Paulo e Pacheco, dentre outras.
Okada esteve em São Paulo há duas semanas para reuniões sobre o potencial do mercado brasileiro. A agenda incluiu um encontro com o presidente executivo da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto. Segundo Okada, as farmácias são estratégicas para a companhia também no Sudeste Asiático, em países emergentes como Tailândia e Vietnã, em que o acesso ao sistema de saúde é mais difícil.
A atuação da Omron junto aos principais “players” da saúde, segundo Okada, reforça a confiabilidade dos dispositivos e diferencia os equipamentos dos chamados “gadgets”, como relógios inteligentes que medem parâmetros como batimentos cardíacos. “Nós seguimos diretrizes globais de confiança, atualizadas continuamente”, explicou.
A executiva conta que uma dessas crises de confiança ocorreu com os medidores de oxigenação do sangue, os oxímetros, durante a pandemia de covid-19. Vários mercados globais da Omron, incluindo o próprio Japão, foram inundados com dispositivos de baixo valor e sem certificações de segurança.
A partir de um trabalho conjunto com as autoridades de saúde japonesas, foram definidos os critérios de qualidade de todo o mercado – incluindo os próprios produtos da Omron – para os oxímetros.
O portfólio da companhia também conta com termômetros, medidores de glicemia, inaladores para doenças respiratórias e umidificadores de ar.
A Omron registrou lucro de 6,8 bilhões de ienes no primeiro trimestre fiscal de 2025, revertendo prejuízo de 9,6 bilhões de ienes no mesmo período de 2024. Em dólares, houve queda de 9% no lucro, para US$ 145,7 milhões. De acordo com a companhia, o resultado foi afetado pela incidência de tarifas de importação dos Estados Unidos.
Já as vendas cresceram 3,1% no comparativo anual, para 189,5 bilhões de ienes. A companhia divulga em 7 de novembro seus números do segundo trimestre fiscal de 2025.
Fonte: Valor Econômico