A Novo Nordisk, a fabricante do medicamento Wegovy, alertou, nesta terça-feira (3), que lucros e vendas podem cair até 13% neste ano, no que seriam os primeiros recuos em anos, em novo revés para a pioneira em remédios contra a obesidade, que luta para recuperar participação de mercado frente à rival Eli Lilly.
A Novo afirmou que sua projeção foi impactada por preços realizados mais baixos, especialmente nos Estados Unidos, concorrência acirrada e o vencimento de patentes da semaglutida — o ingrediente ativo dos medicamentos Wegovy e Ozempic — em alguns mercados fora dos EUA.
O grupo dinamarquês espera que tanto o lucro operacional ajustado quanto as vendas ajustadas, a taxas de câmbio constantes, recuem entre 5% e 13% neste ano. As vendas cresceram 10% no ano passado, e os analistas haviam projetado, em média, uma queda de 2% neste ano.
“Em 2026, a Novo Nordisk enfrentará ventos contrários de preços em um mercado cada vez mais competitivo”, disse o diretor-presidente, Mike Doustdar, em um comunicado.
“No entanto, estamos muito encorajados pela promissora aceitação inicial do lançamento do comprimido Wegovy nos Estados Unidos e continuamos confiantes em nossa capacidade de impulsionar o crescimento de volumes nos próximos anos”, acrescentou.
As ações da Novo Nordisk listadas nos EUA caíam 14% no meio da tarde, após a divulgação da prévia do balanço da companhia. O valor de mercado atingiu o pico em junho de 2024, tornando-a a empresa listada mais valiosa da Europa, mas, desde então, perdeu cerca de dois terços de seu valor.
A Novo e a Lilly travam uma disputa cada vez mais acirrada no aquecido mercado de medicamentos para obesidade, com forte pressão sobre preços nos EUA sob o governo do presidente Donald Trump, aumento de medicamentos similares e novos concorrentes entrando no mercado.
A Novo tenta reconquistar sua coroa após um ano difícil, no qual o medicamento injetável rival da Lilly, o Zepbound, superou o Wegovy em prescrições nos EUA e eliminou 50% do valor de mercado da Novo.
Sob o comando de Doustdar, a Novo aposta no recém-lançado comprimido Wegovy e em publicidade agressiva para recuperar espaço.
Em base não ajustada, o ponto médio da projeção de vendas da Novo para 2026 seria de cerca de queda de 1%, ajudado pela reversão de 4,2 bilhões em provisões para descontos de vendas vinculadas ao programa 340B Drug Pricing Program nos EUA.
A Novo também informou que dois membros de sua equipe executiva — o chefe das operações nos EUA, Dave Moore, e o responsável por produtos e estratégia de portfólio, Ludovic Helfgott — deixarão a empresa. Eles serão substituídos por Jamey Millar e Hong Chow, respectivamente.
O lucro operacional caiu 14%, para 31,7 bilhões de coroas, no quarto trimestre, em comparação com os 31,2 bilhões esperados pelos analistas. As vendas globais do Wegovy caíram 12% no trimestre, para 21,9 bilhões de coroas, ante um ano antes, contra expectativas dos analistas de 21,1 bilhões.
Fonte: Valor Econômico