Foi divulgado nesta quinta-feira (05) a 12ª edição do ranking das empresas com melhor reputação no Brasil em 2025, levantamento elaborado pela Merco – Monitor Empresarial de Reputação Corporativa. O estudo, considerado uma das principais referências de avaliação reputacional na América Latina, reuniu 26 fontes de informação e 17.339 entrevistas realizadas entre maio e dezembro do ano passado.
A Natura mantém a liderança pelo 12º ano consecutivo, seguida pelo Mercado Livre, em segundo lugar, e pela AmbevCotação de Ambev, em terceiro. Completam o Top 10 o Grupo Boticário (4º), Itaú Unibanco (5º), Nestlé (6º), Coca-Cola (7º), Magazine Luiza (8º), Toyota (9º) e Vivo (10º). As dez primeiras posições reúnem empresas de oito setores distintos, como cosméticos, comércio eletrônico, bebidas, serviços financeiros, alimentos, varejo, indústria automotiva e telecomunicações. A Vivo é estreante no Top10, evoluindo nove pontos só no último ano. Esta também é a primeira vez que uma empresa do setor de telecomunicações figura entre as principais líderes em reputação.
Para Gustavo Di Risio, diretor-geral da Merco Brasil, a diversidade setorial reforça a robustez do ranking. “É motivo de grande satisfação e alegria. A diversidade de setores entre as mais bem posicionadas é positiva porque reforça a transparência e a relevância do ranking”, afirma. No Top 10 há bebidas, bancos, alimentos, transporte e varejo, com uma diversidade grande de setores
Segundo ele, o ranking Merco Empresas é o principal indicador do grupo e mede a reputação corporativa de forma ampla, com forte peso da percepção de ética. “A reputação não é medida por um, dois ou três critérios. É a soma de indicadores ligados ao país, às pessoas, aos negócios, ao desempenho econômico, às relações trabalhistas e ao atendimento ao consumidor. Tudo isso transborda na ética. Reputação é percepção de ética. Quanto mais ética e transparente a empresa for, melhor posicionada ela tende a estar”, diz Di Risio.
Ele detalha que, além dos envolvidos diretos, o processo é multistakeholder. São ouvidos especialistas de mercado, executivos e especialistas financeiros, acadêmicos, representantes da sociedade, influenciadores digitais e também mensurada as percepções e menções da marca nas redes digitais e sociais, onde aparece muito a visão do consumidor. “Os consumidores podem não ter o mesmo nível de esclarecimento técnico de um especialista, mas o peso deles é muito grande”, observa o executivo da Merco. Os especialistas e analistas financeiros respondem por cerca de 34% do peso total da avaliação.
O levantamento considera ainda avaliações de ONGs, sindicatos, associações de consumidores, gestores públicos, jornalistas de negócios e analistas financeiros, além da percepção de funcionários, estudantes e profissionais do mercado de trabalho, por meio do ranking Merco Talento.
Na avaliação do executivo, empresas que aparecem de forma recorrente nas primeiras posições — como Natura, Mercado Livre, Ambev, Grupo Boticário e Itaú — vêm aprendendo ao longo dos anos a gerenciar esses indicadores de forma integrada. “Elas conhecem as metodologias, entendem o que significa uma boa posição reputacional e cuidam dos indicadores de forma consistente”, afirma.
O peso da percepção dos consumidores também é relevante na composição do ranking. Além das líderes do ranking, o estudo registrou a entrada de oito novas empresas entre as 100 mais bem avaliadas: C&A, Eurofarma, BYD do Brasil, Grupo Cimed, TIM, ArcelorMittal, Sanofi e Sabesp.
Em um cenário de maior incerteza econômica e institucional, a agenda ética tende a ganhar ainda mais centralidade na gestão reputacional, segundo Di Risio. “Há uma preocupação grande na virada de 2025 para 2026, com muitas movimentações políticas e econômicas. As empresas estão olhando para temas como reforma tributária e mudanças regulatórias, principalmente as multinacionais, e pensando em como continuar sendo protagonistas no Brasil”, diz.
Para ele, companhias de origem brasileira tendem a ter alguma vantagem competitiva na gestão de temas culturais e sociais. “Empresas brasileiras conhecem melhor as particularidades regionais. O Brasil é praticamente vários países dentro de um país. Entender diferenças culturais, inclusão, diversidade populacional e realidades econômicas regionais é um grande ativo para quem quer se posicionar eticamente”, afirma.
A metodologia da Merco parte de uma primeira rodada de avaliação com mais de 600 diretores de cerca de 300 empresas, que gera uma pré-seleção das companhias mais relevantes. A partir desse recorte, cerca de 400 empresas são analisadas, até chegar a um ranking provisório de 100 organizações, que passam por avaliações aprofundadas de especialistas e públicos estratégicos.
“Cruzamos informações de percepção com dados objetivos fornecidos pelas próprias empresas, como faturamento e políticas de talento, sempre dentro de um processo transparente. Nenhuma empresa consegue influenciar o resultado. As informações mais sensíveis são usadas apenas para aplicação do método e não são divulgadas ao mercado”, afirma o executivo.
Ao todo, o estudo envolveu 17.339 entrevistas e também analisou 364.887 menções em canais digitais e redes sociais, por meio do Merco Digital. Entre os critérios avaliados estão resultados econômico-financeiros, qualidade da oferta, talento, ética, governança corporativa, inovação, comunicação, meio ambiente, compromisso social, gestão e estratégia.
No recorte setorial, os segmentos de cosméticos e perfumaria se destacam, com Natura (1º) e Grupo Boticário (4º) entre as primeiras posições, além de Avon (12º) e L’Oréal (21º). No varejo e comércio eletrônico, Mercado Livre (2º) e Magazine Luiza (8º) reforçam protagonismo. No setor financeiro, aparecem Itaú Unibanco (5º), Bradesco (11º) e Nubank (18º). Já bebidas seguem fortes com Ambev (3º) e Coca-Cola (7º).
A Merco também tem ampliado a aproximação com o meio acadêmico. Em fevereiro, a empresa inicia uma parceria com a ESPM, com foco em debates sobre construção de reputação corporativa.
Ranking Merco de Reputação Empresarial 2025
Fonte: Valor Econômico