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Conectividade e inteligência de dados são o nome do jogo da medicina do século XXI. As cinco companhias do setor que se destacaram no anuário Valor Inovação Brasil têm esse foco em comum, aliado a uma visão integrada do paciente. A experiência demonstra que os tratamentos realizados de forma holística têm mais chances de êxito, e a inteligência de dados é fundamental nessa jornada. Grupos como Einstein, FleuryCotação de Fleury, Sírio-Libanês, Dasa e Johnson & Johnson MedTech Brasil lideraram a inovação na saúde apostando nessas estratégias.
No Hospital Israelita Albert Einstein, um dos pilares da atuação reside no sistema integrado, pautado por uma política de segurança do paciente, que vai desde a prevenção até a atenção quaternária, como a do transplante em medicina genômica, passando pela reabilitação. Foi o primeiro hospital no Brasil, e um dos poucos no mundo, a lançar uma plataforma, batizada de Hstory, que combina inteligência artificial (IA) e big data no atendimento direto ao paciente. A ferramenta seleciona os dados mais relevantes dos prontuários médicos, criando um relatório analítico e reduzindo o tempo de diagnóstico.
O Grupo Fleury, referência de qualidade em medicina diagnóstica no país, investiu, no ano passado, mais de R$ 21,5 milhões em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), resultando em 581 novos produtos, serviços e metodologias que caracterizam melhorias e aprimoramentos do portfólio. Outros R$ 100 milhões foram destinados ao novo Núcleo Técnico Operacional, que aumentou em três vezes a capacidade produtiva da empresa. Ainda em 2023, aportou R$ 200 milhões em tecnologia da informação, valor 33,9% superior ao de 2022. “Criamos uma cultura de fixar os profissionais na empresa. Trabalhamos tanto no desenvolvimento de produtos, serviços e métodos de diagnósticos quanto em conexão com universidades e centros de pesquisas”, diz Edgar Gil Rizzatti, presidente de unidades de negócios médico, técnico e novos elos do Fleury.
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Uma das iniciativas em inovação foi a criação da plataforma AmpliaMente, que centraliza todas as startups interessadas em interagir com o grupo. “Lá, colocamos nossos desafios de negócios e as soluções que buscamos. Tivemos mais de 147 startups e selecionamos cinco que são potenciais fornecedores”, diz Andrea Bocabello, diretora-executiva de estratégia, inovação e ESG do Fleury.
A parceria com a startup brasileira Huna, por exemplo, deve gerar um produto capaz de diagnosticar câncer de mama a partir de exames de sangue. Hoje, isso só é possível por exame de imagem. Os pesquisadores utilizaram uma solução de IA para analisar dados de hemogramas realizados nos últimos 20 anos em quase 400 mil mulheres. A ferramenta permitiu identificar o grupo de pacientes com duas vezes mais probabilidade de ter câncer, aumentando as chances de detecção precoce e, logo, da cura. “O potencial é muito bom. Esperamos que vire um produto em breve”, diz Bocabello.
Pesquisas de diagnósticos oncológicos fazem parte da estratégia de inovação do grupo. A base de dados de doenças relacionadas à mama vem se sofisticando, graças à evolução tecnológica e já conta com mais de cinco milhões de resultados de exames. “Isso nos permite realizar simulações, procurando situações de gaps de cuidados, como o de mulheres com mais de 18 meses sem fazer mamografia. Desenhamos estratégicas para endereçar esses gaps, já que quanto mais precocemente identificarmos a doença, maiores serão as chances de o tratamento ter êxito”, diz Rizzatti. O grupo também divulgou no ano passado teste inédito no Brasil para diagnóstico de Alzheimer, a partir de exames de sangue. O precivityAD2™ detecta proteínas que indicam a presença ou ausência de placas amiloides cerebrais, uma característica patológica da doença de Alzheimer.
A medicina do futuro, de acordo com os dois executivos do Fleury, já sinaliza os caminhos que seguirá. Um deles tem a ver com o aumento de pesquisas relacionadas ao sono e ao impacto que as horas bem ou mal dormidas podem ter na vida das pessoas. Outro tem a ver com o aumento do uso de robôs nos hospitais. E, ainda, a telemedicina caminha em direção ao desenvolvimento de hologramas. “A tendência é de automação na relação médico e paciente, com uso cada vez melhor dos dados. Temos trabalhado para estabelecer uma cultura de dados, incorporando profissionais dessas áreas às nossas equipes de saúde. Essa combinação de cientistas de dados com médicos tem sido virtuosa”, diz Rizzatti.
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No Hospital Sírio-Libanês, terceiro colocado no ranking de serviços médicos, inovação e pesquisa científica mantêm relação estreita. Um dos exemplos foi a recente cirurgia realizada na unidade em Brasília, com dados visualizados em 3D em óculos de realidade mista. O equipamento para remoção de um tumor no pulmão de um paciente com mais de 60 anos combinou dados de diferentes fontes de informação, entregando o resultado para os médicos, durante a cirurgia, em formato 3D. Com isso, o procedimento conseguiu ser minimamente invasivo e de alta precisão.
“Construímos um software que roda dentro dos óculos, um visualizador de imagens de exames. Os médicos olham o campo cirúrgico e ao mesmo tempo as imagens digitalizadas a partir de ressonâncias e tomografias”, diz Ailton Brandão, diretor de TI do hospital. Os óculos usaram tecnologia HoloLens 2, dispositivo de realidade mista da Microsoft. A tendência, de acordo com Daniel Greca, diretor de inovação, é levar a tecnologia para novas modalidades de cirurgia. “Virou uma esteira nossa”, diz. O grupo tem corpo clínico aberto de cerca de três mil médicos.
O êxito das pesquisas levou o hospital a decidir pela criação de startup para colocar no mercado os produtos digitais desenvolvidos internamente. Um deles, com alto potencial de comercialização, é o algoritmo chamado de No-Show, que detecta pacientes com propensão elevada de faltar aos exames. A ferramenta reduziu em 20% as taxas de ausência e cancelamentos, com expectativa de gerar receita adicional de R$ 6 milhões até fim de 2024.
Outra frente de investimentos está na evolução da digitalização, com a telemedicina. “Demos um grande salto há dois anos, quando tomamos a decisão de depender menos de terceiros e fazer construções em casa. Antes, a plataforma era explorada por outra empresa, gerando mais custos e com menos potencial de exploração de dados”, diz Greca. Hoje, o hospital opera sua própria plataforma de saúde digital, que atende centenas de milhares de pessoas. “Economizamos R$ 70 milhões em cinco anos e temos contratos para atendimento fora de São Paulo e Brasília”, diz o diretor de TI.
A ferramenta agrega teleconsulta, prontuário médico, portal do paciente, além da gestão dos dados de saúde dos atendidos. “Temos uma base de dados muito rica, com todos os exames e as consultas realizados. Com isso, conseguimos customizar e criar programas de saúde para a população atendida, potencializando o uso do digital”, diz Brandão. As intervenções aumentaram em 26% a taxa de conclusão de biópsias necessárias após diagnósticos críticos.
O grupo Dasa, que reúne medicina diagnóstica, rede de hospitais e centros médicos, estruturou suas apostas em inovações em duas dimensões: a de aumentar a eficiência dos processos internos e a de geração de valor. Para isso, investe em automação e digitalização de processos e em tecnologia de processos. Um dos focos é reduzir o tempo médio entre o diagnóstico de uma doença e o seu tratamento. “O setor de saúde é muito fragmentado. A jornada entre o exame e o atendimento médico pode ultrapassar 90 dias. Conseguimos reduzir esse tempo pela metade”, diz Leonardo Vendolin, diretor-médico e de operações de cuidados integrados da Dasa.
O grupo também investiu, em parceria com a startup NoHarm, em ferramenta de IA que previne erros e efeitos colaterais na prescrição de medicamentos a pacientes. “É muito comum prescrições médicas que podem, eventualmente, causar retardo no tratamento. Investimos em uma ferramenta que detecta potenciais interações medicamentosas, alertando à equipe médica que um medicamento em um paciente pode causar evento adverso”, diz Vendolin.
A Johnson & Johnson MedTech utiliza a inovação para solucionar as necessidades de pacientes, cirurgiões, hospitais e planos de saúde. “Temos desenvolvido projetos para ampliar o diagnóstico e melhorar a navegação digital do paciente. Fazemos isso em parceria com diversos prestadores de serviços e operadoras. O objetivo é um tratamento integrado do começo ao fim”, diz Fabrício Campolina, presidente do grupo.
No Brasil, a empresa realizou projetos com diversos prestadores de serviços e operadoras dentro da proposta de tratamento integrado, do diagnóstico até um ano após a intervenção – e a IA tem sido uma grande aliada. Um exemplo é o projeto Jornada Digital do Paciente, desenvolvido em parceria com o Hospital A.C. Camargo e a startup brasileira Kidopi, com foco em aumentar a adesão ao tratamento do paciente com câncer colorretal ao longo de sua jornada de cuidados. “Reduzimos em 67% as complicações no pós-cirúrgico”, diz Campolina.
Fonte: Valor Econômico