/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/z/E/ZLpnDtSSiZD5srYdIFLQ/arte27emp-101-farma-b3.jpg)
A indústria farmacêutica nacional manteve a liderança no varejo brasileiro de medicamentos em 2025. No ano passado, de cada dez remédios vendidos, oito eram de laboratórios brasileiros. Em valor, esses fabricantes responderam por cerca de R$ 5,80 a cada R$ 10 movimentados no mercado.
Com atualização nas regras de precificação para medicamentos e queda da patente do princípio ativo da caneta emagrecedora Ozempic, movimento que deve abrir espaço para a entrada de novos concorrentes brasileiros, 2026 deve ser outro ano de crescimento para as vendas dos laboratórios nacionais.
Segundo levantamento realizado pela Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), feito com base em dados da consultoria IQVIA e compartilhado com o Valor, o faturamento das farmacêuticas somou cerca de R$ 146,8 bilhões em 2025, alta de 12% na comparação com 2024.
O desempenho foi puxado, principalmente, pela venda dos laboratórios nacionais. “A indústria farmacêutica científica nacional tem crescido muito nos últimos 20 anos, e em ritmo maior do que as indústrias de capital estrangeiro”, disse Henrique Tada, presidente-executivo da entidade, em entrevista à reportagem.
Conforme o levantamento, os laboratórios nacionais faturaram R$ 83,9 bilhões no ano passado, ou 58% do total, contra os R$ 62,9 bilhões das multinacionais, que responderam por fatia de 42%. Em unidades, a participação dos laboratórios nacionais foi ainda maior, de cerca de 80%, com a venda de 4,7 bilhões de embalagens.
A fatia dos laboratórios nacionais no faturamento, disse Tada, não atinge esse mesmo patamar porque as multinacionais têm mais produtos de maior valor agregado, geralmente mais caros. “Não que não tenha medicamento de alto valor agregado nacional, porque tem também, mas a quantidade das multinacionais é maior. Por isso que tem essa diferenciação nos valores.”
O levantamento mostra que laboratórios nacionais tiveram a menor participação no varejo de medicamentos de referência, repetindo o padrão de anos anteriores. Essa classe engloba produtos inovadores, geralmente os primeiros de sua categoria a chegar no mercado. Com 301,2 milhões de unidades vendidas, os laboratórios nacionais responderam por 34% do volume total do segmento, de 896 milhões de embalagens. O faturamento desses laboratórios na categoria foi de R$ 13,12 bilhões, ou aproximadamente 26% do total de R$ 51,1 bilhões.
As classes de medicamentos que mais têm contribuído para o crescimento da participação dos laboratórios nacionais no varejo brasileiro, segundo a Alanac, são as de genéricos e de marca, com a última incluindo os similares, cópias de produtos originais com marca comercial própria, e não apenas identificados pelo nome do princípio ativo.
Os genéricos, também como em anos anteriores, foram a categoria na qual a indústria nacional teve a maior participação, tanto em número de unidades vendidas quanto no faturamento. Elas venderam 2,2 bilhões de unidades nesse segmento, ou 94% do total de 2,4 bilhões, e faturaram R$ 20,85 bilhões, cerca de 91% do total de R$ 23 bilhões.
Na categoria dos medicamentos de marca, os laboratórios brasileiros venderam 2,2 bilhões de unidades, o equivalente a 83% do total de 2,7 bilhões de embalagens comercializadas. Em faturamento, as empresas nacionais somaram R$ 49,92 bilhões, o que representa cerca de 69% dos R$ 72,62 bilhões movimentados no mercado.
“A indústria nacional abraçou essa classe de produto [os genéricos] e começou a desenvolver um padrão de cópias, com estudos de bioequivalência e de equivalência farmacêutica. Com isso, todo o setor mudou, incluindo os medicamentos similares”, disse o presidente da Alanac.
Segundo Tada, investimentos feitos por indústrias farmacêuticas nacionais em centros de pesquisas e de desenvolvimento contribuem para o avanço no varejo. “Hoje, poucas indústrias multinacionais estão fabricando no Brasil. Do que nós temos de fabricação de medicamentos no país, mais de 90% é feito pela indústria nacional, de capital brasileiro”, afirmou o dirigente.
A expectativa de crescimento para 2026 é sustentada pela percepção da entidade de que os laboratórios continuam engajados com a ampliação de linhas de produção e dos investimentos em inovação tecnológica. Segundo Tada, a revisão da norma de precificação de medicamentos publicada no fim do ano passado pelo governo federal também ajuda, já que deve facilitar o lançamento de inovações incrementais, medicamentos que trazem melhorias sobre versão já existente.
“[Essa nova regra] Vai viabilizar ter mais produtos com inovação incremental. Com isso, a participação das empresas brasileiras na classe de medicamentos de referência tende a aumentar também”, disse o presidente. “E sobre canetas emagrecedoras, certamente haverá mais empresas competindo nesse mercado, o que é muito bom”, disse, em referência ao fim da patente da semaglutida, prevista para março.
Fonte: Valor Econômico