O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quarta-feira (25) a saída do vice-presidente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) para disputar as eleições. Ao discursar em São Carlos (SP), Lula não descartou a manutenção de Alckmin como vice em sua chapa de reeleição.
Lula tenta convencer o ministro e vice-presidente a disputar o Senado na chapa do ex-ministro Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo. Alckmin e seu partido, o PSB, no entanto, querem continuar na vaga de vice na chapa de reeleição de Lula. O vice-presidente já disse a seus correligionários que se não puder disputar como vice de Lula, não concorrerá a outro cargo nesta eleição. Haddad tem defendido a manutenção de Alckmin na chapa presidencial.
Para ser candidato a vice ou ao Senado, o vice-presidente e ministro precisa deixar o comando do ministério até 4 de abril, prazo máximo para desincompatibilização.
Ao falar sobre a saída de Alckmin do ministério, Lula olhou para o ministro Márcio França (Empreendedorismo) e disse que “já tem gente olhando o lugar dele [Alckmin]”. “E eu vou conversar depois”, afirmou. Pouco depois, destacou a presença de França no evento. “Vocês sabem que o Márcio já foi governador, foi vice do Alckmin. Ele é jovem e está pensando em crescer, ganhar espaço na vida”, disse, em tom bem humorado.
Lula estuda colocar Márcio França no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O ministro e ex-governador de São Paulo, no entanto, quer disputar o Senado na chapa de Haddad. Para pressionar por espaço na chapa petista, França tem dito que manterá sua pré-candidatura ao governo paulista.
Lula voltou a criticar o governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e mencionou a ausência dele e do secretário estadual de saúde, Eleuses Paiva (PSD) no evento. Lula citou a presença do prefeito de São Carlos, Netto Donato (PP), que derrotou o candidato petista Newton Lima na disputa municipal de 2024.
“O prefeito está aqui. Ele acabou de derrotar o Newtão na eleição. Eu poderia pensar ‘aquele prefeito que derrotou o PT eu não vou nem conversar com ele’. Não. Ele é prefeito da cidade, foi eleito pelo povo e respeito. Ele está aqui. Por que o governador e o secretário de saúde não estão aqui? Ele poderia estar até por uma questão de gentileza, respeito. O secretário de saúde tem que estar preocupado com a saúde do Estado. Por que não está?”, questionou o presidente. “Porque essa gente vive muito tempo mentindo. É muito fácil fazer propaganda mentirosa através do celular. ‘Não faço nada, mas coloco o celular, conta uma mentira e lacro’”, disse, em acusação contra o governador. Mais cedo, em evento em Araraquara, o presidente também destacou a ausência de Tarcísio e o criticou.
Pré-candidato à reeleição, Lula afirmou ainda que lutará para continuar no comando do país. “Não vou deixar os fascistas voltarem a governar o país.”
No hospital universitário, o presidente disse que o governo federal tem sido “muito duro” na fiscalização das faculdades de medicina. “Proibimos qualquer ensino de medicina à distância. Na medicina tem que estar ali, de corpo presente, vendo, olhando e aprendendo”, disse.
O Ministério da Educação anunciou na semana passada punições para 54 faculdades de medicina por baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Destas, 53 são particulares e uma é federal.
Fonte: Valor Econômico