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O varejo nacional tem oportunidades “gigantescas de crescimento” na categoria de beleza, segundo o presidente da L’Oréal Brasil, Marcelo Zimet. O executivo afirma que a penetração de produtos do setor ainda é baixa em canais como o alimentar, enquanto o varejo especializado é altamente fragmentado e regionalizado, com oportunidades de consolidação para os próximos anos.
Zimet cita como exemplo a transformação que o canal farmacêutico promoveu nos últimos anos, tornando-se prioritário para o portfólio de cuidados pessoais, incluindo beleza. “O canal farma virou uma loja de proximidade, onde o consumidor consegue adquirir o que precisa no momento. Nós praticamente criamos a categoria de dermocosméticos no Brasil com esses parceiros, há 25 anos, e agradecemos muito ao canal farma por isso.”
A L’Oréal vendeu R$ 3,3 bilhões em farmácias brasileiras no ano passado, crescimento de 5,1% em relação a 2023, segundo dados da consultoria Close-Up International. A multinacional francesa é a maior indústria de não medicamentos no canal, seguida por Nestlé (R$ 3,2 bilhões) e Procter & Gamble (R$ 3,1 bilhões).
As avenidas de crescimento, agora, devem incluir o aumento do portfólio e a melhora da experiência de compra no comércio eletrônico e no varejo generalista, como o alimentar. O canal digital tem sido uma das apostas para crescer no Brasil desde que Marcelo Zimet, primeiro brasileiro no comando das operações da companhia no país, assumiu o posto em 2021. A categoria tem penetração de cerca de 13% no e-commerce brasileiro, embora tenha avançado nos últimos anos. Na L’Oréal, a participação digital é de 20%.
A baixa complexidade do varejo brasileiro na categoria contrasta com a sofisticação da indústria, que oscila entre terceiro e quarto mercado do mundo anualmente. O ranking é liderado por China e EUA, enquanto o Brasil disputa a medalha de bronze com o Japão.
A L’Oréal não revela o faturamento por país, mas afirma que o Brasil tem crescido duplo dígito nos últimos cinco anos. A principal marca do mercado nacional é a L’Oréal Paris Elsève, líder na categoria de cuidados com os cabelos. O país representa 40% de todo o mercado de beleza da América Latina e, em 2024, exportou R$ 884 milhões. A beleza na região, na visão da L’Oréal, representa “uma indústria em ascensão”. A indústria de beleza representa € 290 bilhões globalmente, de acordo com estimativas da empresa.
Segundo Zimet, a já robusta indústria brasileira também tem espaço para crescimento. “Há uma grande sofisticação no mercado capilar, por exemplo, onde o Brasil é uma referência global, mas ainda há muitas categorias com baixa penetração no país”, afirma. Uma das oportunidades é o mercado de proteção solar.
Apesar das possibilidades de expansão, o último relatório de resultados da L’Oréal indica uma desaceleração da América Latina. O balanço da companhia aponta que o faturamento na região caiu 2,3% no segundo trimestre. Foi o segundo pior desempenho por divisão geográfica, atrás apenas do Norte da Ásia -cujo tombo foi de 11,3%, refletindo a desaceleração do consumo na China.
As ações da L’Oréal na bolsa de Paris acumulam alta de 18,97% desde janeiro, cotadas a € 406,70 no fechamento de ontem (20). Nos últimos doze meses, o avanço dos papéis foi de 5,61%.
Apesar dos sinais de que o consumo brasileiro também possa estar em ritmo mais morno, Zimet diz que segue otimista com as operações e que não há uma “desaceleração” da demanda. O cenário, segundo o executivo, é de uma “acomodação” após as variações de consumo registradas na pandemia.
Enquanto as vendas de maquiagem caíram fortemente durante a covid-19, com a suspensão dos eventos sociais, produtos de cuidados com a pele dispararam em vendas. O remanejamento dos gastos com lazer também levaram à alta do tíquete médio dos produtos consumidos no período, segundo Zimet. “Desconsiderando esses picos de consumo, nos últimos vinte anos, o Brasil cresce no mínimo duas vezes o mercado global, enquanto a L’Oréal cresce acima da média brasileira”.
A companhia também segue ampliando os estudos em desenvolvimento em seu Centro de Pesquisa e Inovação na zona Norte do Rio de Janeiro, citado como “estratégico” para a L’Oréal globalmente, embora a multinacional não revele investimento.
Uma das fortalezas do Brasil, segundo a L’Oréal, é a diversidade genética da população e condições climáticas como alta umidade, alta radiação ultravioleta e elevadas temperaturas na maior parte do território.. “O Centro de Pesquisa está no Brasil mas não é do Brasil, é global. Se um produto dá certo no Brasil, provavelmente dará certo em qualquer lugar do mundo.”
A repórter viajou a convite da L’Oréal
Fonte: Valor Econômico