O presidente do conselho de administração e o executivo-chefe (CEO) da Kobayashi Pharmaceutical vão renunciar, apurou o “Nikkei Asia”, assumindo a responsabilidade pelo atraso na divulgação de informações e pelos problemas de saúde e mortes que poderiam estar ligados ao suplemento de arroz com fermento vermelho da empresa.
O chairman, Kazumasa Kobayashi, e o CEO, Akihiro Kobayashi, são ambos membros da família fundadora da empresa. Espera-se que o diretor executivo sênior, Satoshi Yamane, se torne o novo CEO.
Suspeita-se que o suplemento de levedura vermelha esteja relacionado a mais de 80 mortes, incluindo algumas ainda sob investigação.
As mudanças devem ser finalizadas na reunião do conselho de administração de terça-feira. Akihiro Kobayashi abrirá mão da autoridade para representar a empresa, mas permanecerá como diretor para responder à compensação pelos riscos à saúde causados pelo suplemento.
Uma comissão de advogados externos tem investigado as circunstâncias que rodearam o anúncio inicial de problemas de saúde. Ela divulgará seu relatório na terça-feira.
Os advogados aparentemente criticarão o fato de que demorou mais de dois meses desde o primeiro caso relatado à Kobayashi Pharmaceutical em meados de janeiro até o anúncio do problema pela empresa em 22 de março, e que a informação não foi compartilhada com diretores externos até pouco antes do anúncio.
Espera-se também que os advogados aleguem que a empresa estava relutante em emitir um aviso prévio aos consumidores ou em recolher o produto.
Em resposta a um relatório separado sobre disfunções na governança corporativa da farmacêutica, os quatro administradores externos decidiram que uma renovação da estrutura de gestão, incluindo uma mudança no topo, era essencial. A família fundadora da empresa aceitou isso.
Em 29 de março, o Ministério da Saúde japonês disse que o ácido puberúlico, uma substância tóxica produzida pelo mofo azul, foi detectado em alguns lotes de produção de ingredientes de arroz com fermento vermelho. O mofo azul foi detectado na sala de cultura e no equipamento de ar-condicionado da fábrica de Osaka, onde a Kobayashi Pharmaceutical estava produzindo ingredientes de arroz com fermento vermelho. O ministério também está investigando a toxicidade de outros dois produtos químicos detectados no produto.
Fonte: Valor Econômico