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O uso de agentes de inteligência artificial (IA) capazes de realizar o primeiro atendimento por voz de pacientes em emergência médica é uma das aplicações que a empresa de tecnologia de Singapura, KeyReply apresenta a dez grandes grupos de saúde do Brasil, cujos nomes não foram revelados, e que pretende levar ao setor público.
Fundada em 2016, a empresa de automação de call centers através de IA com linguagem natural se compromete a investir R$ 350 milhões, em cinco anos, na operação brasileira que iniciou há cerca de um mês. Parte do investimento virá de um recente aporte de série A liderado pela Cercano Management – braço da fundação familiar Allen Family Philanthropies, criada pelo falecido cofundador da Microsoft, Paul Allen, e sua irmã Jody Allen. A empresa não informou o valor do novo aporte.
Mesmo em um momento de cautela e revisão de investimentos pelas empresas, diante de um cenário econômico desafiador, a executiva-chefe (CEO) da KeyReply, Peiru Teo, afirma que a decisão de ingressar no Brasil se deve ao tamanho do mercado, à receptividade das empresas de saúde para a tecnologia e à maturidade das aplicações de IA.
“A tecnologia, finalmente, está madura e pronta para entregar a promessa que a IA sempre quis entregar”, diz Teo, ao Valor. “Se você me perguntasse isso três anos atrás, ela não estaria pronta, mas agora é o momento perfeito”.
Os investimentos no Brasil, segundo Teo, se aplicam em contratações de profissionais no país e na adaptação do software para acelerar a implantação em empresas como seguradoras de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios. A meta da é alcançar 10% de participação de mercado até 2029.
Nos últimos anos, a companhia expandiu a operação além da região Ásia-Pacífico para Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, atendendo empresas como seguradoras de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios. As experiências nos sistemas públicos de saúde de Singapura e do Reino Unido são credenciais importantes para a oferta ao governo brasileiro, destaca o diretor executivo da empresa no Brasil, Marcelo Haddad.
“Sabemos o quão eficaz [o software] pode ser para sistemas de saúde como o INSS”, diz o executivo. Haddad, Teo, o fundador e diretor de tecnologia, Max Xu, e o diretor de estratégia da KeyReply, Eric Pallay, encontraram-se no Brasil para apresentar o software da empresa a potenciais clientes do setor público e para fazer contato com integrantes do Ministério da Saúde e do INSS.
A atuação especializada no segmento de saúde é um dos diferenciais da empresa para ganhar espaço no mercado, onde atuam multinacionais como Intercom, Zendesk e Freshdesk. “Atamos com profundidade em integrações e automações de fluxos de trabalho dos clientes”, explica Teo. A executiva também destaca a naturalidade das conversas com seu robô de IA, integração rápida redução de custos com o atendimento humano. Segundo a companhia, um robô faz o trabalho de até três atendentes, resolvendo 90% das questões sem necessidade de interferência humana.
Questionada sobre o impacto da IA generativa para profissionais de call center, Teo defende o trabalho em equipe com a tecnologia. “Clientes [de saúde] no Brasil e no mundo todo estão em um ponto de não conseguir atender a muitas ligações de pacientes”, diz a executiva. “Estamos treinando profissionais de contact center em IA e notamos que conseguem atender de 30% a 50% mais demandas trabalhando em conjunto com os agentes”.
Fonte: Valor Econômico