Uma onda de revolta tomou conta de Israel neste domingo, depois de o governo de Benjamin Netanyahu ter anunciado a recuperação dos corpos de seis reféns sequestrados pelo grupo terrorista Hamas no ataque de 7 de outubro. Na visão de parentes das vítimas, sindicatos de trabalhadores e de boa parte da mídia israelense os seis reféns – incluindo um cidadão dos EUA — foram mortos pela falha do governo em negociar um acordo de cessar-fogo seriamente.
A Histadrut, maior central sindical de Israel, declarou uma greve nacional a partir de segunda-feira para pressionar o governo a um acordo com o Hamas para a libertação de quase uma centena de reféns restantes. A paralisação deve afetar o Aeroporto Internacional Ben-Gurion, o principal do país.
Os corpos de Almog Sarusi, Alex Lobanov, Carmel Gat, Eden Yerushalmi, Ori Danino e do israelense-americano Hersh Goldberg-Polin foram encontrados no sábado por soldados de Israel em um túnel em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. Eles tinham sinais de execução recente, segundo fontes de Israel. O Hamas disse que eles foram mortos em um ataque israelense.
Sob as propostas de acordo apresentadas nos últimos meses, nos últimos meses, pelo menos Goldberg-Polin, Yerushalmi e Gat estariam entre os reféns libertados, de acordo com jornais israelenses. “Eles poderiam ter voltado para casa vivos. Mas o governo de Netanyahu preferiu manter tropas no corredor Filadélfia ao longo da fronteira Gaza-Egito [incluindo Rafah] a salvar as vidas dos reféns”, acusou o jornal israelense “Haaretz”, em editorial.
“Foram os terroristas do Hamas que puxaram o gatilho, mas foi Netanyahu quem selou o destino dos reféns”, prosseguiu o “Haaretz”. “Após longos meses de negligência e atraso, após torpedear um acordo após o outro, o gabinete de segurança votou na quinta-feira à noite para acabar com qualquer esperança de os reféns retornarem vivos para casa, aprovando uma resolução declarando que Israel não deixará o corredor Filadélfia. Os reféns estão morrendo para que Netanyahu possa manter sua coalizão de extremista viva”, concluiu.
“Não é mais possível ficar de braços cruzados”, disse o presidente da Histadrut, Arnon Bar-David, em uma declaração televisionada. “Isso de judeus assassinados nos túneis de Gaza é inconcebível e tem de parar. Um acordo deve ser alcançado, e isso é mais importante do que qualquer outra coisa.”
“Estamos recebendo sacos para cadáveres em vez de um acordo”, disse Bar-David. “Peço ao povo de Israel que saia às ruas hoje à noite e amanhã e que todos participem da greve”, disse ele.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, pediu desculpas às famílias por “não conseguirem trazer” seus entes queridos para casa em segurança, enquanto o líder da oposição Yair Lapid pediu apoio à greve nacional liderada pela Histadrut.
A Casa Branca disse que Biden estava “devastado e indignado” com as mortes dos reféns. “Os líderes do Hamas pagarão por esses crimes”, disse ele. “Continuaremos trabalhando dia e noite por um acordo para garantir a libertação dos reféns restantes”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico