O governo de Israel quer estabelecer zonas livres do Hamas como plano para o pós-guerra na Faixa de Gaza e planeja iniciar a implementação do plano nas próximas semanas no norte do enclave, segundo o “Financial Times” (FT). O planejamento acontece em um momento em que cresce a pressão interna e externa contra Israel, com a comunidade internacional pressionando pelo fim do conflito e judeus ultraortodoxos protestando contra o serviço militar obrigatório.
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De acordo com o plano israelense, o exército de Israel iria concentrar a entrada de ajuda na Passagem de Erez, no norte de Gaza, que seria destinada a grupos palestinos “aprovados” por Israel, que distribuiriam a ajuda e gradualmente expandiriam as responsabilidades na região para assumir a governança civil. Inicialmente as forças israelenses garantiriam a segurança dessas zonas seguras.
A ideia é que o plano no norte, se bem-sucedido, seja aplicado no restante da Faixa de Gaza como maneira de criar lideranças locais que possam substituir o governo do Hamas. Segundo o “FT”, pessoas ligadas ao governo acreditam que a medida pode forçar o avanço das negociações de cessar-fogo com o grupo terrorista.
Esse não é o primeiro plano pós-guerra do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê admitiu na semana passada para um canal de televisão local que seu plano para identificar a empoderar famílias palestinas influentes na região como forma de criar novas lideranças locais falhou após o Hamas descobrir os planos e assassinar líderes das famílias escolhidas.
Na semana passada, o Hamas executou o chefe da família Abu Amra por suposta “receptividade” às ofertas israelenses, segundo o “FT”.
O Hamas disse em um comunicado na terça-feira (25) que não permitiria que nenhum ator “interferisse” no futuro da Faixa de Gaza.
O plano de Israel começará a ser implementado nas cidades do norte da Faixa de Gaza de Atatra, Beit Hanoun e Beit Lahia.
Israel também vive um caos interno após a Suprema Corte do país julgar como inconstitucional a isenção do serviço militar obrigatório para homens judeus ultraortodoxos, uma questão que remonta a fundação do Estado israelense.
Milhares de homens judeus ultraortodoxos foram as ruas de Jerusalém ontem a noite para protestar contra a decisão da Suprema Corte. Muitos manifestantes vestidos de preto se reuniram fora de uma escola religiosa para ouvir rabinos se manifestando contra a decisão e pedindo para que ultraortodoxos resistam ao alistamento.
Os protestos provocaram alguns confrontos com a polícia. Manifestantes jogaram pedras e outros objetos nos policiais e atearam fogo em um contêiner de lixo, disse a polícia de Israel. Cinco homens foram presos nos confrontos.
A decisão da Suprema Corte na semana passada definiu que não há base legal para isentar os ultraortodoxos do serviço militar obrigatório atingiu um ponto central para a comunidade, que argumenta que contribuem para o Estado preservando as tradições judaicas e proporcionando proteção divina ao Estado via orações.
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Fonte: Valor Econômico


