Um dos fundadores da Siri (assistente de voz que depois foi comprada pela Apple), Adam Cheyer diz que a inteligência artificial (IA) vai se tornar a próxima grande interface de comunicação. Ainda assim, existem alguns pontos que precisam ser resolvidos. A própria interface do ChatGPT, por exemplo, baseada em texto, não é a melhor experiência para o usuário.
Além disso, é preciso combinar a arquitetura de “conhecimento” da IA com uma arquitetura de “execução”. “O ChatGPT é muito inteligente, mas eles não consegue mandar um SMS para a minha esposa dizendo que vou chegar mais tarde em casa. A Siri consegue”, comentou ele, durante apresentação no Mastercard Innovation Forum, em Miami.
Outro ponto que ainda é preciso solucionar é o modelo de negócios desses assistentes de IA. Para Cheyer, seria preciso criar algo como a loja de aplicativos que existe nos celulares. “Mas o ROI [retorno sobre o investimento] está começando a acontecer”.
Para Cheyer, a IA será uma evolução tão importante como a internet ou o telefone celular. Ele diz que a IA é criativa, ou seja, ela consegue gerar coisas novas, não apenas se basear em informações pré-existentes, e que ela já superou marcos que estavam previstos pelos especialistas para anos à frente, como vencer o melhor jogador mundial de Go — jogo chinês bem mais complexo que o xadrez.
O ChatGPT 4, por exemplo, já é melhor que a enorme maioria dos candidatos que faz a prova para advogados (BAR, equivalente ao exame da OAB nos EUA). “Há muito debate sobre se a IA vai roubar seu emprego. A IA sozinha, não, mas um humano usando IA, vai”, diz ele. Pesquisas mostram que médicos usando IA, por exemplo, são muito melhores do que aqueles que não usam.
O jornalista viajou a convite da Mastercard
Fonte: Valor Econômico