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O advento da inteligência artificial (IA) criou uma fonte de possibilidades para as empresas mais inovadoras do país. Nas companhias mais bem pontuadas no anuário “Valor Inovação Brasil” de 2025, a IA é considerada um combustível essencial para alavancar rotinas de trabalho e planos de negócios. Os principais impactos são observados na redução de custos e no ganho de eficiência, desenvolvimento de produtos, gestão de estoques e no melhor aproveitamento do capital humano.
A principal premiação de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Brasil, realizada pelo Valor em parceria com a Strategy&, da PwC, chega este ano à décima primeira edição, com um mapeamento de 264 corporações, em 25 setores da economia. Quase metade (45%) das empresas analisadas investem, em média, de 1% a 5% do faturamento em inovação, seguidas por uma fatia de 26% que aplicam mais de 5% em novos projetos – eram 20%, em 2020.
Na abertura do evento, nesta terça-feira (19), em São Paulo, a diretora de redação do Valor Econômico e das marcas segmentadas de economia e negócios da Editora Globo, Maria Fernanda Delmas, fez um compilado dos principais aprendizados extraídos a partir dos casos das vencedoras. “A empresa deve investir em qualificação e treinamento para ajudar os times a inovar. Mas para entrar na cultura de toda a corporação, o comprometimento da alta liderança é fundamental.” E o processo precisa ir além: alcançar a cadeia de fornecedores e incluir parcerias com universidades e startups. “A inovação não deve só melhorar o negócio. O desejável é buscar impacto na sociedade e no meio ambiente.”
O papel da tecnologia é fundamental. “Em termos de avanço em inovação, a IA tem colocado conhecimento, assertividade, velocidade de análise e geração de insights no radar das empresas”, diz Gerson Charchat, líder da Strategy& no Brasil. “É muito mais que uma tecnologia, é uma forma de quebrar silos, gerar inovação aberta e de construir pontes entre indústrias.”
Na Natura, primeira colocada no ranking geral e vencedora na categoria cosméticos, higiene e limpeza, chatbots e sistemas inteligentes estão incrementando a eficiência operacional e liberam tempo para as equipes se dedicarem a ações estratégicas. “Ferramentas com IA fortalecem uma cultura de inovação inclusiva, enquanto a capacidade de simular cenários e testar hipóteses acelera a validação de ideias”, explica o CEO João Paulo Ferreira. “A IA generativa também oferece suporte à jornada digital dos nossos colaboradores.”
A IA tornou-se um dos principais habilitadores de novas tecnologias na transformação digital da São Martinho, relata Fábio Venturelli, presidente da usina, líder da categoria agronegócio. A aplicação nas operações do grupo aproveita o potencial de redução de custos, de ganho de eficiência e agilidade de processos. “Acontece, especialmente, nas rotinas digitais que suportam as atividades de campo, nas áreas administrativas e fabris”, diz ele, acrescentando que a novidade ganha tração ainda na agricultura de precisão e em equipamentos autônomos.
Bárbara Sapunar, diretora-executiva de business transformation da Nestlé, primeira colocada em alimentos e bebidas, diz que a IA marca presença na fabricante há cerca de sete anos. “Temos o ‘NesGPT’, alimentado pela mesma tecnologia do ChatGPT”, assinala. “Com ele, os colaboradores criam conteúdo, pautas de reuniões e analisam dados. São quase 5,5 mil usuários diários nos últimos 12 meses.”
Na CNH, destaque do setor de equipamentos, tecnologia e serviços, o presidente para a América Latina, Rafael Miotto, afirma que a inovação virou uma aliada para o futuro da agricultura e da indústria. A dona de marcas como Case Industrial e New Holland usa a IA embarcada em colheitadeiras que permitem ajustes automáticos de operação, conforme as condições das fazendas dos clientes. Um dos resultados, segundo a empresa, é obter uma melhor qualidade dos grãos colhidos nas lavouras.
“Vejo um banco cada vez mais eficiente, competitivo e com o uso intensivo de tecnologia”, diz Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, primeiro colocado no setor de bancos. A instituição avança na jornada de inovação com a adoção de IA generativa e de sistemas de machine learning (aprendizagem de máquina), com investimentos totais de R$ 8,8 bilhões em 2024 e 2025. Este ano, lançou o “pix inteligente” no WhatsApp, que faz transferências a partir de comandos de voz.
Leonardo Garnica, líder de inovação corporativa da Embraer, vencedora em bens de capital, explica que a fornecedora de aviões começou a operar, desde o fim de 2024, uma plataforma de gestão de materiais capaz de avaliar cerca de 250 mil produtos adquiridos por diversas áreas da empresa. “O objetivo é realizar um planejamento inteligente das compras e estoques”, afirma o executivo.
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O Mercado Livre, referência na categoria comércio, aposta no tripé IA generativa, logística automatizada e soluções financeiras. Com mais de 18 mil desenvolvedores, sendo 3,5 mil no Brasil, e 650 profissionais dedicados a programas de machine learning, elevou o investimento em desenvolvimento de produtos de US$ 146 milhões, em 2018, para US$ 1,9 bilhão em 2024. “A inovação é o motor que impulsiona a transformação que promovemos nos negócios”, afirma Fernando Yunes, vice-presidente sênior e líder da companhia no Brasil.
Para a Construtora Barbosa Mello (CBM), primeira colocada no setor de construção e engenharia, a IA se tornou uma ferramenta com o poder de melhorar decisões e gerar vantagens competitivas, ressalta Alícia Figueiró, vice-presidente corporativa. Uma das aplicações aparece na gestão da frota de equipamentos não tripulados, cujo sistema permite monitoramento de indicadores como volume escavado, velocidade de caminhões e eficiência logística – em tempo real.
Renato Pedigoni, vice-presidente de tecnologia do Grupo Boticário, uma das dez empresas mais inovadoras no ranking geral, ressalta o investimento em capital humano, necessário para acompanhar a evolução da IA. “Desde que decidimos ampliar a área de TI em 2019, a equipe foi de 200 para 3 mil colaboradores, sendo 500 especialistas somente na divisão de dados e IA”, diz.
William Matos, CEO da Vitru, vencedora no setor de educação, afirma que a companhia está desenvolvendo mais de 40 experimentos com IA generativa, centrados em aprendizagem e soluções de atendimento. “Os sistemas ampliam a produtividade e permitem experiências ‘hiperpersonalizadas’ aos estudantes, aumentando a retenção dos conteúdos estudados”, explica.
Na WEG, líder na categoria eletroeletrônica, o diretor-superintendente da unidade de motores industriais, Rodrigo Fumo, destaca os avanços na detecção de falhas em equipamentos com o uso de sensores; e na unidade de atendimento ao cliente, onde a IA cortou em 80% o tempo para a elaboração de cotações técnicas de produtos. “Ganhamos ajustes mais ágeis nas máquinas utilizadas para análises de motores, diminuindo a duração do processo em 40%”, afirma.
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Ricardo Botelho, presidente da Energisa, campeã na categoria energia elétrica, conta que a IA abriu espaço para melhorar o mapeamento de riscos, prevenir fraudes e interrupções nas redes de força. Em operações simples, como a mudança de titularidade da conta de luz, sistemas de análise de dados podem gerar mais de R$ 25 milhões, ao ano, em redução de perdas com faturas em atraso.
A Eletrobras, uma das “top 10” do ranking, montou um centro de monitoramento para abrigar o trabalho de cientistas de dados e meteorologistas. O objetivo é recorrer à IA para assegurar alertas e previsões climáticas em áreas como geração e transmissão de energia, com a ajuda de dados enviados por sensores instalados nas estruturas. “Assim, garantimos informações mais precisas para todas as operações”, diz Juliano Dantas, vice-presidente de inovação.
Na EMS, que lidera a categoria farmacêuticas e ciências da vida, o diretor de P&D e inovação, Carlos Alberto Fonseca de Moraes, chama a atenção para o uso da IA no desenvolvimento de novos medicamentos. “Já aplicamos a novidade do design molecular, simulações clínicas e análises preditivas.”
Alexandre Thioler, CEO da BRK Ambiental, primeira colocada em infraestrutura, diz que a inovação envolve todos os processos de governança, atendimento e desenvolvimento de software na empresa. Como um exemplo de sucesso, o executivo fala da definição da “rota tecnológica” mais adequada para as estações de tratamento de esgoto (ETE). “A IA contribui com a modelagem técnica dos projetos ao equilibrar obrigações contratuais, riscos hidrológicos, custos e retorno sobre o capital investido.”
A Dexco, gigante brasileira do setor de materiais de construção, aposta na IA como um dos pilares da sua estratégia de inovação, em departamentos como vendas, jurídico e atendimento ao consumidor (SAC). “É utilizada para oferecer soluções personalizadas no B2B, com análise de dados, além de melhorar a experiência dos clientes”, destaca o diretor de TI e growth Daniel Franco.
O prêmio “Valor Inovação Brasil” 2025 é realizado pelo Valor e conta com patrocínio ouro da ArcelorMittal, responsável também pela produção dos troféus; patrocínio prata de Itaipu Binacional, Energisa e Investe Piauí – Governo do Piauí; patrocínio bronze de Natura, Bradesco e Copasa – Governo de Minas. O evento tem apoio da Ford e parceria da Strategy&.
Fonte: Valor Econômico