Fruto de parceria com a indiana Sun Pharma, remédio com príncipio ativo do Ozempic deve chegar às farmácias em dois meses
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (29) o registro do Semavy, a caneta com semaglutida que será vendida no país pela farmacêutica brasileira HyperaCotação de Hypera. O medicamento é um dos cinco novos aprovados no país com a substância, a mesma usada nas canetas emagrecedoras da dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, desde que ela perdeu a exclusividade em março. O produto é resultado de parceria com a indiana Sun Pharma, laboratório que também obteve registro próprio para dois medicamentos com a molécula nesta quarta.
O pedido de análise de preço do remédio da HyperaCotação de Hypera chegou à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) no mês passado, o que já indicava que a aprovação do medicamento poderia sair a qualquer momento.
“[Esse medicamento] Tem potencial para ser um dos principais produtos da HyperaCotação de Hypera, dado o tamanho desse mercado”, disse ao Valor o presidente do laboratório brasileiro Breno de Oliveira. A HyperaCotação de Hypera também obteve o registro para outro remédio com a molécula, a Zempneo, emitido para a Brainfarma, controlada do laboratório. A HyperaCotação de Hypera disse que trata-se de segunda marca, sem planos de lançamento no curto-prazo.
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A Semavy usa como alternativa a molécula da Novo Nordisk semaglutida sintética, assim como a Ozivy, a caneta com semaglutida da EMS, farmacêutica brasileira do conglomerado de Carlos Sánchez, até então única com semaglutida deste tipo registrada no país.
O novo remédio da HyperaCotação de Hypera é indicado para o tratamento de diabetes, com doses de 0,25 miligramas a 1 miligrama, mas existem planos para doses maiores. “Temos intenção de lançar produtos com dosagem mais alta para a indicação de obesidade”. O executivo disse que o medicamento poderá ser mantido fora da geladeira depois do início do uso. “É igual ao Ozempic, neste sentido.”
Na parceria com o laboratório brasileiro, a Sun Pharma é responsável por fabricar o Semavy na Índia, sob marca e registro da HyperaCotação de Hypera. A expectativa, disse o executivo, é que o remédio chegue às farmácias em até dois meses, período em que o laboratório pretende estocar doses do medicamento. “Nosso objetivo é ter produtos em quantidade suficiente para fazer um bom abastecimento do varejo farmacêutico”, disse Oliveira, sem revelar quantas doses devem ser injetadas no mercado.
Questionado sobre se o laboratório pretende internalizar tecnologia para produzir o remédio, o executivo disse que, no momento, a parceria com a indiana é o melhor modelo de negócio. “Como escala faz diferença em termos de custo de produção, acreditamos que ter a produção com um parceiro que tem escala global é melhor, mas estamos abertos para avaliar outras oportunidades, seja de internalização ou de [fazer] parte do processo aqui.”
O Semavy integrará o portfólio da HyperaCotação de Hypera sob o guarda-chuva da Mantecorp, marca do laboratório focada em medicamentos que exigem prescrição e em cuidados básicos em diferentes especialidades médicas.
“Contamos com aproximadamente 1,2 mil representantes médicos via Mantecorp, com foco em especialidades que costumam prescrever remédios GLP-1 [classe das canetas emagrecedoras], como endocrinologistas, cardiologistas e ginecologistas”, disse.
A entrada do laboratório no segmento de semaglutida era tida como o próximo motor de redução de preços dos tratamentos com a molécula. A HyperaCotação de Hypera disse que os preços do Semavy devem ser menores comparado ao Ozempic e similar à caneta antidiabética da EMS, que hoje variam entre R$ 452 e R$ 497 nas doses de 0,25 mg a 1 mg.
“Os preços caíram aproximadamente 60% comparado ao preço de referência. E o nosso plano é trabalhar nessa faixa de preço, próximo do patamar que tem sido praticado pelo Ozivy”, afirmou Oliveira.
A HyperaCotação de Hypera não informou como será a estratégia de margens para o varejo, mas disse que estas devem ser maiores comparadas ao de medicamentos de referência. Segundo o Itaú BBA, a margem bruta estimada para produtos de referência como Ozempic e Wegovy variam entre 15% e 17% e para novos remédios similares, é de 20%.
A entrada de concorrentes como HyperaCotação de Hypera e EMS com preços mais baixos tem provocado reações na Novo Nordisk e no laboratório brasileiro Eurofarma. As duas mantêm parceria na qual a brasileira distribui versões locais das canetas da dinamarquesa. Ambas têm adotado condições de preço especiais para pacientes do programa de suporte dos laboratórios. No Brasil, a dinamarquesa ainda move ação contra a caneta antidiabética da EMS, alegando que o laboratório imita elementos de seus produtos.
“Não acredito que tenhamos nada [do tipo] com relação a Novo [Nordisk]. E se tivermos também, estamos bastante confiantes tanto no nome quanto na nossa estratégia comercial”, comentou o presidente da HyperaCotação de Hypera sobre o tema.