A farmacêutica Hypera planeja lançar sua caneta injetável à base de semaglutida já no início de 2026, quando acabar a exclusividade da dinamarquesa Novo Nordisk sobre a molécula das marcas Ozempic e Wegovy.
“Estamos confiantes que nossa semaglutida será lançada assim que cair a patente”, afirmou na quara-feira (29) o diretor-presidente da farma, Breno Oliveira, durante teleconferência de resultados do terceiro trimestre. As canetas serão produzidas por um parceiro e com marca própria da Hypera, sem modelo de licenciamento.
A estratégia é consolidar uma marca forte para que, quando demais produtores nacionais entrem no mercado, a Hypera ainda detenha vantagem competitiva. A expectativa é de que não haja indisponibilidade na cadeia de insumos, considerando que o Brasil é um dos primeiros países em que a patente deve cair, em março do ano que vem.
Oliveira destaca que o mercado de hormônios análogos ao GLP-1 está estimado em R$ 10 bilhões anuais, o que representa aproximadamente 8% do mercado farmacêutico total. Metade disso é composta apenas pela molécula semaglutida.
Ontem, as ações da Hypera tiveram o melhor desempenho da B3Cotação de B3 no pregão e terminaram o dia cotadas a R$ 24,46, alta de 4,84%, após analistas de mercado considerarem o resultado trimestral melhor do que o esperado.
A Hypera registrou lucro atribuído aos controladores de R$ 457,6 milhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 21,6% no comparativo anual. Já a receita avançou 16,3%, para R$ 2,22 bilhões. O faturamento reflete a alta de 8,3% do indicador de vendas ao consumidor final (“sell-out”) no varejo farmacêutico.
Os destaques de vendas no período foram medicamentos antigripais, analgésicos, para cardiologia e gastroenterologia. Os produtos para hidratação da pele, segundo a Hypera, também tiveram bom desempenho.
Já o “sell-out” no mercado institucional recuou 4,3% devido ao menor volume de vendas ao setor público. Essa desaceleração levou a companhia a buscar competitividade de preços como estratégia de curto prazo, de acordo com Breno Oliveira.
Já a médio e longo prazos, o executivo destacou que parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento em segmentos em que não há exclusividade deve começar a contribuir para o “mix” de produtos.
O executivo da farmacêutica mencionou o mercado de vitamina B12, “que está crescendo muito”, além do segmento de probióticos em que a companhia atua com a marca Tamarine. Outra aposta da farmacêutica são os medicamentos analgésicos e para tratamento de tosse.
O fluxo de caixa operacional atingiu recorde de R$ 853,6 milhões no último trimestre, alta de 15,7%. Já o fluxo de caixa livre da companhia no último trimestre somou R$ 688,8 milhões, avanço de 24,8% em relação ao terceiro trimestre de 2024.
A Hypera pontua que este é o primeiro trimestre com captura total dos efeitos da otimização de capital de giro da companhia, que teve uma “conclusão bem-sucedida” no fim de junho, com redução de estoques. O prazo médio de recebimento foi de 58 dias, ante 126 dias no terceiro trimestre do ano passado.
Os analistas do Itaú BBA e do BTG Pactual apontaram que o lucro e a geração de caixa recorde ficaram acima do esperado, enquanto o Citi classificou os resultados como “decentes”. Os analistas do Santander, porém, apontaram que os maiores custos de frete e logística – e o consequente aumento de despesas- foram ponto negativo dos resultados da companhia.
Fonte: Valor Econômico