A equipe de estrategistas do banco, liderada por Lilia Peytavin, recomenda comprar empresas com alta exposição aos EUA
PorFarah Elbahrawy, Em Bloomberg
Os investidores devem vender ações europeias que derivam a maior parte de suas receitas da China devido ao consumo lento e ao aumento das tensões comerciais, disseram estrategistas do Goldman Sachs.
A equipe, liderada por Lilia Peytavin, recomenda, em vez disso, comprar empresas com alta exposição aos EUA, como a farmacêutica Novo Nordisk e a petrolífera BP.
Os estrategistas alertam para um apetite fraco por gastos na China, a intenção do país de tributar bens de luxo e a probabilidade de retaliação contra o aumento tarifário da União Europeia (UE) sobre as importações de veículos elétricos.
“Embora já tenham ocorrido muitos rebaixamentos das previsões de lucros este ano em nossa cesta de luxo, tememos que mais possam ocorrer”, escreveu Peytavin. “Além disso, o prêmio de valuation da cesta diminuiu, mas permanece no lado mais alto de seu histórico.”
O Goldman tem posições vendidas em algumas das maiores empresas da Europa.
Elas incluem a gigante de luxo LVMH e a L’Oréal, que têm, respectivamente, 17% e 21% de suas vendas da China. A fabricante de cosméticos alertou, no mês passado, que esperava crescimento mais lento para o mercado de beleza em 2024 devido à fraqueza na China após anos de forte crescimento.
A Mercedes-Benz tem uma exposição de vendas de 36% à China, a mais elevada entre os fabricantes de automóveis europeus.
Por outro lado, as perspectivas são boas para as empresas com exposição aos EUA, disseram os estrategistas.
Com as pesquisas eleitorais sinalizando uma vitória de Donald Trump em novembro, um resultado que provavelmente fortalecerá o dólar, uma seleção composta em grande parte por ações de saúde e de mídia constituem uma aposta defensiva.
Uma empresa como a Novo Nordisk, fabricante do medicamento para emagrecer Ozempic, obtém 59% de suas receitas dos EUA. Outros nomes incluem Pearson e BAE Systems.
Este grupo, “provavelmente, teria um bom desempenho no caso de uma escalada tarifária, dado que a maioria das empresas tem operações diretas nos EUA”, afirmaram os estrategistas.
“Um dólar mais forte, com as outras variáveis constantes, é bom para as empresas europeias com exposição aos EUA”, disse Peytavin.
Fonte: Valor Econômico