Um dos principais caminhos na busca por retornos no private equity a nível global, a alavancagem financeira não é uma opção para as empresas no Brasil, avalia um dos mais importantes investidores estrangeiros em atividade na região, o GIC, fundo soberano de Cingapura.
“No Brasil, devido à alta volatilidade dos juros, que podem rapidamente oscilar de 2% para 14%, como vimos, é preciso evitar a alavancagem financeira excessiva”, disse Wolfgang Schwerdtle, managing director do GIC para América Latina. “Essa estratégia não se aplica ao mercado brasileiro, onde financiar aquisições com dívida é impraticável.”
O gestor participou, mais cedo, do evento promovido pela Abvcap em São Paulo. Durante o painel, em que não comentou investimentos específicos do fundo no país — o extenso portfólio inclui Rede D’Or, SmartFit, Duas Rodas e Cruzeiro do Sul —, Schwerdtle explicou o que considera fundamental para o êxito de todas as investidas na região até aqui: bons parceiros, modelo de negócios de sucesso e o preço em si.
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Em um dos negócios mais bem sucedidos na região, em que o fundo realizou uma saída em apenas dois anos, o GIC investiu na Biotrop, companhia que atua no setor de biofertilizantes e biodefensivos para a agricultura. Depois de coinvestir com a Aqua Capital, a empresa foi vendida por R$ 2,8 bilhões para a belga Biobest. É este, na verdade, um dos principais segmentos de atenção na região.
Mas faltam oportunidades, na visão do gestor. Enquanto o país conta com uma matriz de energia extremamente limpa, com 80% proveniente de fontes renováveis, ainda há poucos projetos que tomem proveito dos recursos, mesmo na manufatura de produtos que poderiam ser exportados como “verdes”. Ainda assim, o investidor segue otimista e atento a deals no ramo de sustentabilidade, em especial alimentos e biocombustíveis.
Saúde, tecnologia e educação, porém, seguem ocupando boa parte do portfólio do GIC — no qual a América Latina, leia-se Brasil, já representa 4% dos investimentos entre mais de uma dezena de regiões em que o fundo é ativo. Embora tenha aumentado os investimentos diretos, a gestora segue com a estratégia de investir em fundos de private equity locais e fazer coinvestimentos, em especial para acessar deals mais exclusivos ou complexos, como os de special situations.
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Fonte: Valor Econômico


