A HIG Capital, gestora de private equity (que compra participação em empresas), deve conseguir realizar a oferta pública de ações (OPA), após tentativa frustrada na metade do ano, e tirar a rede de hospitais Kora, do qual é controladora, do Novo Mercado, maior nível de governança corporativa. Na época, os minoritários foram contra a oferta, que precificava o papel a R$ 7. Isso porque, segundo fontes, a HIG conseguiu fechar um acordo prévio com um grupo de minoritários, que, juntos, representam 32% dos votos para uma aprovação favorável à operação.
Ontem, os papéis da Kora encerram com alta de 12,50% cotados a R$ 7,56. No domingo, a controladora da rede de hospitais apresentou uma proposta de OPA com a ação a R$ 8,80. Na oferta anterior, o fundo propôs o equivalente a R$ 7 (em setembro, a empresa passou por um grupamento de ações na proporção de 10 para um).
Ainda segundo fontes, os minoritários da companhia não foram atraídos pelo aumento da oferta e, sim, pelos riscos da Kora, que está alavancada. Na semana passada, a companhia anunciou um reperfilamento da dívida de R$ 2 bilhões (debêntures), com expansão de prazos de amortização.
Os fundadores do grupo, Bruno Moulin Machado e Ivan Lima, que detinham 10,6% das ações (metade do “free float”, de 20,3%), continuam impedidos de votar na assembleia, por decisão da B3, por terem um acordo de acionistas com o controlador e tomarem decisões em conjunto. Eles também não poderão votar agora – esse foi um dos motivos dos imbróglios entre HIG e minoritários.
Segundo a proposta, a saída do Novo Mercado “tem como objetivo a simplificação da estrutura corporativa e organizacional”, de modo a “conferir maior flexibilidade na gestão financeira e operacional”, o que vai ajudar em estratégias de financiamento e crescimento da Kora. O documento cita ainda a dificuldade da companhia de saúde em manter o percentual mínimo de ações em circulação exigido no Novo Mercado, de 20%.
A Kora abriu seu capital em agosto de 2021, valendo R$ 5,5 bilhões. Atualmente, a companhia vale R$ 580 milhões, ou seja, dez vezes menos.
A empresa, que gerencia 17 hospitais, tem uma alavancagem de quatro vezes seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). O grupo tentou vender seus ativos, porém não teve avanços. A Kora terminou o terceiro trimestre com um prejuízo de R$ 11,5 milhões, ante R$ 41,8 milhões um ano antes.
Procurada, a HIG informou que não comenta rumores.
Fonte: Valor Econômico