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Em meio às dúvidas em torno do pouso suave ou não da economia americana e do início dos cortes de juros no país, David Meyer, fundador e gestor da americana Contour Asset Management, vê no mercado de ações de tecnologia “o melhor cenário dos últimos tempos.” Ele rejeita a ideia de bolha, mas admite “alguma espuma” localizada em determinados pontos e diz que o “funil de oportunidades está longe de fechar”, diante da velocidade com que o ambiente está mudando e se desenvolvendo. “Menos eficiência é igual a mais oportunidades.”
Para Meyer, que estará no Brasil amanhã para participar de um painel na feira Expert XP 2024, houve “alguma exuberância” entre investidores do varejo em torno do que chama de “megatecnologia”, mas, entre gestores dos “hedge funds” americanos, afirma, isso não aconteceu. “De acordo com dados do Goldman Sachs Prime Brokerage, em meados de agosto, estavam mais subalocados em tecnologia da informação do que nunca”, disse ele ao Valor, em entrevista por e-mail.
A Contour, que tem mais de US$ 3 bilhões sob gestão, é concentrada em uma única estratégia, o fundo de ações de “long and short” (estratégia que aposta na alta e na baixa de determinadas ações) Gaia Contour Tech Equity, que investe no setor de tecnologia, mídia e telecomunicações. Meyer explica que a natureza dinâmica da tecnologia leva a uma dispersão de preços significativa. “Nossa abordagem de investimento nos permite tirar vantagem quando vemos oportunidades incompreendidas, não apenas subvalorizadas, mas também supervalorizadas”, afirma ele, que antes foi do Morgan Stanley e da Brummer & Partners.
O gestor diz que a resposta à pergunta sobre o futuro das empresas que estão perdendo o bonde da inteligência artificial (IA) “vale um milhão de reais” e afirma que a empresa tem se “concentrado desproporcionalmente” no assunto. “Muitas empresas sentirão uma dor significativa porque não têm os recursos, o número de funcionários ou a estratégia para mudar seus negócios e não sobreviverão a um mundo de IA. Essas empresas podem não ser necessariamente as que você consideraria como de tecnologia tradicional.” Mas demonstra otimismo ao dizer que pode haver tempo para que façam ajustes e se adequem.
O fundo da Contour e é distribuído no Brasil pela Schroders, segunda maior gestora de feeders (veículos locais que compram cotas de fundos no exterior) internacionais do país, com R$ 3,5 bilhões sob gestão. Conforme dados da Schroders, o fundo local (Schroder Gaia Contour Tech Equity, que inclui mecanismo de proteção cambial) tem retorno de 15,21% em 2024 até 19 de agosto, ante 6,18% do CDI, -4,87% do Ibovespa e 1,71% do IHFA, o Índice de Hedge Funds da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
O diretor comercial da Schroders Brasil, Fernando Cortez, afirma que a gestora está concentrando esforços para “capturar” uma fatia dos investimentos dos órfãos dos multimercados no Brasil para fundos como o Gaia. Ele diz que a ideia é fazer com que o cliente entenda que os “hedge funds” americanos podem entrar na parcela de multimercados que ele tem em carteira e que hoje está migrando para a renda fixa. Os “hedge funds” geralmente são comparados aos multimercados brasileiros, mas as linhas são bem diferentes, já que no Brasil a classe é muito focada no mercado de juros, enquanto nos Estados Unidos são mais voltados à bolsa. Por isso vêm apresentando bom desempenho, enquanto os multimercados no Brasil têm apresentado retornos decepcionantes.
Segundo ele, nos últimos 12 meses, o IHFA teve desempenho negativo em seis meses, enquanto o Contour, por exemplo, ficou positivo. Cortez explica que, como os “feeders” oferecem proteção cambial, apresentam volatilidade menor que a dos multimercados e podem ser comparados ao CDI. “Hoje fica tudo na caixinha de investimento global, queremos mostrar que não é tudo igual.” Ele diz que os feeders de “hedge funds”, embora não tenham sofrido resgates nos últimos meses, não atraíram recursos como poderiam. “Como viemos de um período monotemático em renda fixa, a curiosidade foi menor do que poderia ser.”
Fonte: Valor Econômico


