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O ranking de 2024 das melhores empresas para trabalhar, elaborado pelo Great Place to Work, tem como uma de suas novidades o aumento no total de classificadas, de 150 em 2023 para 175 em 2024. A mudança, segundo o GPTW, é reflexo do esforço das organizações em proporcionar um bom ambiente de trabalho aos seus funcionários – o que resultou em melhores notas nos quesitos avaliados pela organização. Neste ano, mais de 5 mil companhias buscaram um lugar na lista. Destas, 2.898 foram consideradas elegíveis, um aumento de 31% em relação a 2023.
Criada em 1997, a partir de um estudo do jornalista americano Robert Levering, que escreveu o livro “The 100 Best Companies to Work for in America”, o levantamento do GPTW é aplicado, atualmente, em 170 países. Ao longo de seus 28 anos de existência, o levantamento tem mostrado que a atenção às relações de trabalho traz vantagens importantes, como maior produtividade e engajamento da equipe, mais facilidade para atrair e reter talentos e aumento do potencial criativo dos funcionários – com maior participação em processos de inovação.
Esta edição da pesquisa mostra a consolidação do modelo híbrido, que começou a ganhar força durante a crise da covid-19 e no pós-pandemia. O sistema em que os empregados trabalham alguns dias da semana presencialmente e outros em home office é adotado por 81% das empresas, que disponibilizam o formato para pelo menos 50% da sua equipe. “A flexibilidade se tornou um componente forte para apoiar e promover a qualidade de vida, o equilíbrio e a saúde dos funcionários”, afirma Daniela Diniz, diretora de conteúdo e relações institucionais do GPTW.
“Embora no mundo corporativo algumas grandes empresas estejam retomando o modelo totalmente presencial, o fato é que o futuro do trabalho será híbrido”, diz Diniz. Na sua opinião, exigir o trabalho 100% presencial representa um retrocesso. “Essa opção não acompanha a evolução da história do trabalho. Não adianta ir contra a tendência”, acrescenta.
Algumas classificadas no GPTW estão flexibilizando também o número de horas trabalhadas: 30% implantaram a jornada de trabalho reduzida, eliminando apenas algumas horas de trabalho por dia – como a tarde de sexta-feira, por exemplo – ou adotando a semana de quatro dias. Uma das empresas que abraçou a novidade é a Efí, plataforma digital de serviços financeiros sediada na cidade histórica mineira de Ouro Preto. A empresa implementou no ano passado a semana de quatro dias, dando um dia a mais para os colaboradores relaxarem e cuidarem de questões pessoais.
Para isso, foi necessário fazer um alinhamento com os sindicatos e resolver questões ligadas à legislação trabalhista. Em julho do ano passado, o formato foi incorporado definitivamente, como parte de um plano de promoção do bem-estar. “Os resultados são muito positivos”, afirma Evanil Paula, fundador e CEO do Efí. A taxa de retenção de talentos aumentou de 78,37%, no período de julho de 2021 e julho de 2022, para 89,58% entre julho de 2023 e julho de 2024. Já o percentual de pedidos de demissão caiu 81% entre julho de 2022 e julho de 2024. “Acredito que o ambiente de trabalho deve proporcionar as condições para que cada pessoa atinja todo o seu potencial”, diz o CEO. A empresa aprovou ainda o sistema de home office para todos que preferirem o trabalho remoto. A empresa fornece equipamentos como computadores, mesas e cadeiras, além de uma ajuda de custo para despesas com provedores de internet.
Apesar dos resultados positivos, as vencedoras deste ano ainda têm muitos desafios pela frente. Promover a diversidade na equipe é um deles: os avanços são pequenos nessa área. O mais significativo é a maior participação de profissionais experientes nas equipes, evitando o etarismo. Em 2022, os funcionários entre 35 e 44 anos representavam 27% do total. Neste ano eles são 31%. Já aqueles entre 45 e 54 anos, que eram 10% da força de trabalho, são agora 13%. “A força de trabalho dessas organizações está se tornando mais experiente”, afirma Diniz, que destaca a valorização desses profissionais pela maturidade que demonstram no dia a dia e por terem estabilidade e maior senso de responsabilidade. “Nós falávamos que a geração Y tinha um perfil muito imediatista, e agora estamos enfrentando o mesmo problema com a geração Z”, diz a diretora.
As mulheres seguem minoria em todos os níveis da organização. Elas são 44% dos colaboradores, mas sua participação nas posições de média liderança cai para 40%; nos cargos de diretoria e C-level, elas são só 30%; e, entre os CEOs, elas são apenas 7%. Pretos e pardos são, respectivamente, 9% e 32% da força de trabalho das melhores empresas. Na média gerência, pretos ocupam 3,04% das posições, e pardos são 17,40%. Dos mais de 950 mil funcionários empregados pelas classificadas, 9% declararam pertencer à comunidade LGBTQIA+ – em 2023, eram 7%. As pessoas com deficiência, por sua vez, representam 3% do total.
Entre as inúmeras análises feitas pelo GPTW, uma das mais relevantes é o Índice de Velocidade da Inovação (IVR), métrica que quantifica a capacidade das empresas de se adaptarem às mudanças e inovarem. Na lista deste ano, 46% das empresas estão no estágio funcional, com uma capacidade de inovação moderada – nessas organizações, os funcionários não se sentem completamente envolvidos nos processos de inovação. Outras 34% foram classificadas dentro do nível de atrito, quando a empresa tem dificuldades em se adaptar e inovar: nesses casos, menos da metade dos colaboradores percebe um ambiente que valoriza a inovação. E apenas 20% das companhias se encontram no nível acelerado, com alta capacidade de criar – em geral, essas organizações são reconhecidas pelos funcionários por proporcionarem um ambiente favorável à inovação, que os estimula constantemente a contribuir com ideias para os processos internos de melhoria. Cabe às outras 80% seguirem o exemplo, sob pena de serem atropeladas pela velocidade das transformações.
Fonte: Valor Econômico